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De uma tacada só, David Cameron conseguiu ser xenófobo e machista

"Quer ganhar o desafeto de milhares de pessoas em cinco minutos? Pergunte-me como"

Esse é o primeiro ministro do Reino Unido. Nessa semana ele anunciou um plano para incentivar imigrantes muçulmanas a aprender o inglês. Até aí, muito legal. O problema começou quando ele tentou justificar a importância do projeto.

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"Se você não é capaz de falar inglês, não é capaz de se integrar, você pode portanto achar que você tem dificuldades em entender sua identidade e aí pode ficar mais suscetível a uma mensagem extremista vinda do Daesh [termo usado para se referir ao Estado Islâmico]" 

Oi? De maneira bastante britânica ele tentou fazer um link entre não falar inglês e virar um terrorista. Como se mulheres muçulmanas que não falam inglês estivessem mais propensas a virar terroristas. Falar isso quando tudo indica que a radicalização vem da cultura criminosa (o ISIS recruta dentro dentro de presídios e gangues), islamofobia e respostas a políticas externas (ex: bombardeios no Oriente Médio) é no mínimo ignorância.

E Cameron continua. As muçulmanas agora estariam correndo risco de deportação caso não aprendam a língua da rainha. Segundo o primeiro-ministro, elas vão passar por um teste de inglês depois de dois anos e meio no país. "Você não pode garantir que vai poder continuar [morando no Reino Unido] se você não está melhorando o seu inglês", ele disse.

O político já foi duramente criticado pelos seus comentários tanto por organizações islâmicas quanto por organizações de direitos humanos e direitos das mulheres. Pegou mal.

De uma tacada só, David Cameron conseguiu ser xenófobo e machista

#islamofobia #questõesdegênero #reinounido #internacional #xenofobia

Sean Penn e o mega traficante mexicano foi a notícia mais inusitada do fds

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À direita, Joaquín "El Chapo" Gúzman, mexicano, líder de um dos mais poderosos cartéis de drogas do mundo. Foi preso duas vezes. Escapou das duas. À esquerda, Sean Penn, ator, ativista e jornalista nas horas vagas. Essa foto foi tirada em outubro, mas só divulgada neste fim de semana, quando Chapo (algo como "o baixinho", em espanhol) foi finalmente preso (de novo) pelas autoridades mexicanas.

A história toda parece ser um filme de Hollywood - aliás, uma das teorias para explicar como Chapo foi encontrado é que ele estaria tentando entrar em contato com produtores para vender sua história para um filme. A fuga do Chapo de uma prisão de alta segurança do México no ano passado é quase inacreditável.

Pra começar, o cartel dele é famoso por utilizar túneis complexos para o transporte e fornecimento de drogas. Foi assim que ele fugiu da primeira prisão... e foi assim que ele fugiu da segunda, também - pra enfurecer os americanos, que insistiam que ele fosse deportado, julgado e preso nos Estados Unidos.

Olha o naipe dessa fuga:

Sean Penn e o mega traficante mexicano foi a notícia mais inusitada do fds

Isso é uma moto sobre trilhos que foi adaptada para ajudar na construção dos quase dois quilômetros subterrâneos.

Ele escapou por um buraco na parede que ficava na área do banheiro da cela, onde as câmeras não filmavam. Ali no cantinho à direita dá pra ver o Chapo momentos antes de escapar.

Sean Penn e o mega traficante mexicano foi a notícia mais inusitada do fds

Curioso a respeito da figura, o ator/ativista Sean Penn entrou em contato com um dos advogados de Chapo que, por sua vez, falou com uma atriz famosa mexicana que ainda estaria em contato com o líder do narcotráfico. A moça, e eu juro que isso não é mentira, ficou famosa no México por interpretar chefonas de carteis. E ficou ~amiga~ do Chapo depois de postar no seu Twitter pessoal um texto em que parecia apoiar o traficante. 

No fim das contas, foram lá o Hollywood star e a estrella merricana entrevistar um dos caras mais procurados (e mais perigosos) do mundo. A matéria que o Sean Penn escreveu para a Rolling Stone (a mesma revista da polêmica da história falsa sobre estupro em uma universidade americana, btw) ficou legal narrativamente falando. O texto é bacana, apesar de pedante às vezes e ingênuo em outros momentos. É até divertido acompanhar a viagem dos dois para o meio da jungle mexicana. Jornalisticamente, porém, é ó: uma merda. Pode ver (link em inglês):

Basicamente duas pessoas sem nenhum treinamento jornalístico foram para o meio da selva se encontrar com o Chapo. Sem papel, sem caneta, sem gravador e sem juízo, Sean Penn ficou até às quatro da manhã bebendo tequila e trocando conversa fora com o Chapo. Tudo isso para tentar a tal da entrevista. Não conseguiu. O mexicano, depois de muito ter encantado o gringo (que o descreveu como carismático etc etc), pediu que ele voltasse em oito dias para que eles finalmente tivessem uma entrevista formal. Não tiveram. Em vez disso, Penn enviou uma lista de perguntas extremamente bobas (sem zoeira, nível: "se você pudesse mudar o mundo, você mudaria?") e o Chapo respondeu as que queria e enviou um vídeo de volta. Esse esquema, é óbvio, acaba com qualquer possibilidade de questionamento. Exemplo: ele pergunta se Guzmán é violento ou se usa violência só como um "último recurso". E o cara responde "olha, tudo o que eu faço é me defender, só isso". Oi? OOOI? E aí o leitor é obrigado a ficar com a palavra final e sem questionamento algum de Chapo. 

Pra melhorar a situação jornalística do negócio, já começamos o artigo com um aviso de que o entrevistado só concedeu a entrevista com a condição de que ele lesse a matéria antes que ela fosse publicada. Não, gente. Não é assim que funciona no jornalismo. Nem adianta colocar que o Chapo "não pediu nenhuma mudança" no texto. Talvez, na verdade, só piore as coisas. 

O furo é bem legal, claro. Falar com o cara mais procurado do mundo é o sonho de quase qualquer jornalista. Mas a matéria que foi resultado disso? Deixou demais a desejar. Nesses casos, a Rolling Stone deveria ter se questionado: vale a pena publicar isso? Será que isso é uma matéria ou é um panfleto?

#jornalismo #elchapo #seanpenn #rollingstone

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escrita por
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aprevidelli
Jornalista