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Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli

Mulheres compartilham suas histórias com a hashtag #assédionotrabalho

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

Mais uma campanha feminista incentiva as mulheres a quebrar o silêncio na internet e expor as situações de assédio e violência pelas quais passamos todos os dias. Dessa vez, depois da #chegadefiufiu (cantadas de rua), #meuprimeiroassédio (histórias de crianças e adolescentes sendo assediadas) e #meuamigosecreto (denunciando machismo), os relatos são sobre o ambiente de trabalho. 

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

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A minha primeira vez sofrendo #assédionotrabalho foi em um estágio que fiz para uma revista dentro da universidade. Um dos chefes de lá, nem lembro o nome dele direito, era todo espalhafatoso, sempre chegava na redação fazendo questão de ser notado, falando alto, fazendo piadas. Um dia, ele me percebeu na redação. Era eu e mais outras duas estagiárias, além da nossa chefe, lá no nosso cantinho. Ele olhou para mim e em um tom de voz que me dá nojo até hoje disse, na frente de todo mundo:

"Noooossa... mas uma loira assim, com esse cabelão solto... eu vou ter que cumprimentar!"

Eu parei de respirar naquele exato momento. Foi uma coisa tão fora do imaginável, tão invasiva, que não consegui responder. Eu devia ter uns 17, 18 anos naquela época. Ele veio andando na minha direção, ignorou as minhas colegas e beijou a minha bochecha. Levantou e foi embora.

Sei que pode parecer pequeno para muita gente, e li relatos de abusos, de coisas mais pesadas e sei que tive "sorte" nesse meu primeiro assédio no ambiente de trabalho. Mas aquilo foi uma merda para mim. Me senti suja, me senti odiada pelas minhas colegas (elas nunca me deram motivo para achar que sentiram nada além de pena por mim naquele momento, mas eu sentia culpa pelo que aconteceu). Nunca mais apareci naquela redação com cabelo solto e ficava policiando as roupas que eu usava. 

Contei para uma amiga que já tinha trabalhado por lá, ela disse que depois de uns meses ele começou a comprar chocolates e doces para ela, chamar para sair... até que ela conseguiu outro estágio e saiu, mesmo - daquela experiência horrorosa.

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Essa foi só minha primeira experiência com assédio sexual no trabalho. Tive outras. De assédio moral tive incontáveis. Nunca denunciei nenhuma e não sei se hoje teria mais coragem de denunciar, não. 

Compreendo totalmente as 87,% das mulheres vítimas de assédio que não denunciaram, segundo uma pesquisa do Vagas.com. A maior parte delas (40%) tinha medo de perder o emprego, 32% tinham medo de represália, 11% sentiram vergonha e 8% achavam que a culpa era delas. 

Não é. A culpa não é nossa.

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

#feminismo #feminism #AssédioSexual #AssédioNoTrabalho 

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