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Conheça o Transmilenio, o transporte público de Bogotá

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli

Ganhou prêmios, reduziu o tempo de viagem do colombiano e é bem interessante

Conheça o Transmilenio, o transporte público de Bogotá

Parece os terminais brasileiros, mas não é, não.

Há muitos e muitos anos atrás, em uma galáxia muito distante... eu entrevistei o ex-prefeito de Bogotá, um cara chamando Enrique Peñalosa, responsável por reestruturar (alguns diriam revolucionar) o transporte público na capital da Colômbia.

Quase três anos depois desse encontro telefônico maravilhoso, tive a oportunidade de viajar para Bogotá e finalmente conhecer esse sistema de transporte que inspirou os BRTs no Brasil. 

Só para relembrar: "Em Bogotá, entre 1998 e 2001, [Peñalosa] foi responsável por medidas que seguem esta visão [de priorizar o transporte público em vez de carros]: construiu mais de 300 km de ciclovias, restringiu tráfego de carros em horários específicos, proibiu o estacionamento em calçadas e o restringiu no centro da cidade, além de construir vias exclusivas para trajetos de ônibus. Para os pedestres, as calçadas foram alargadas e mais de mil parques foram construídos ou totalmente reformados." O sistema reduziu, em dez anos, o tempo de viagem de 2h15min para 55min em um trajeto de 30km.

Fui lá usar o tal do Transmilênio, saindo do sul de Bogotá para chegar ao centro. Estávamos até que longe, não era horário de pico, levamos 40 minutos em um percurso de cerca de 20 quilômetros. Ele funciona como um metrô acima da terra. Os ônibus têm vias próprias para eles (a polêmica ~faixa exclusiva~), você paga com um cartão recarregável igual ao bilhete único na estação. Mesmo fora do horário de pico, ele lembra demais o metrô paulistano - é lotado, tem empurra-empurra na estação na hora de entrar no busão, mas uma vez dentro do veículo, as coisas andam mais rápido. 

Conheça o Transmilenio, o transporte público de Bogotá

Como ele para nas estações determinadas no maior estilo metrô (com a diferença de você poder respirar ar de verdade, poder olhar para as ruas - em vez de viajar no subsolo feito ratinho), uma voz vai te avisando qual é a próxima parada. Fica mais difícil de se perder assim. Outra coisa legal é que além desses ônibus articulados gigantes, há ônibus menores que atendem as vias mais periféricas. Eles levam, de graça porque o pagamento é sempre feito nas estações, as pessoas do ponto na rua até uma estação. Tecnicamente, se você for fazer um circuito local de bairro, sem precisar pegar o Transmilenio, o percurso sai de graça.

Andando pela cidade no Trans (já estou íntima) dá para perceber os outros investimentos para pedestres e veículos sustentáveis. A cidade é cheia de ciclovias, e elas são bastante usadas. As calçadas são espaçosas, e há faróis para os pedestres nos principais cruzamentos por onde passei.

Mesmo assim, tem trânsito por lá. Especialmente do aeroporto para o centro. E os moradores reclamam dos horários de pico. Em Bogotá, o rodízio funciona como o paulistano, nos horários de pico, a diferença é que carros com placas final número par entram no rodízio nos dias pares, e final número ímpar, nos dias ímpares. Ou seja, você pode andar com seu carro (no horário de pico) dia sim, dia não. Parece puxado, mas ainda é pouco para resolver o trânsito na cidade.

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