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De uma tacada só, David Cameron conseguiu ser xenófobo e machista

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli

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Esse é o primeiro ministro do Reino Unido. Nessa semana ele anunciou um plano para incentivar imigrantes muçulmanas a aprender o inglês. Até aí, muito legal. O problema começou quando ele tentou justificar a importância do projeto.

"Se você não é capaz de falar inglês, não é capaz de se integrar, você pode portanto achar que você tem dificuldades em entender sua identidade e aí pode ficar mais suscetível a uma mensagem extremista vinda do Daesh [termo usado para se referir ao Estado Islâmico]" 

Oi? De maneira bastante britânica ele tentou fazer um link entre não falar inglês e virar um terrorista. Como se mulheres muçulmanas que não falam inglês estivessem mais propensas a virar terroristas. Falar isso quando tudo indica que a radicalização vem da cultura criminosa (o ISIS recruta dentro dentro de presídios e gangues), islamofobia e respostas a políticas externas (ex: bombardeios no Oriente Médio) é no mínimo ignorância.

E Cameron continua. As muçulmanas agora estariam correndo risco de deportação caso não aprendam a língua da rainha. Segundo o primeiro-ministro, elas vão passar por um teste de inglês depois de dois anos e meio no país. "Você não pode garantir que vai poder continuar [morando no Reino Unido] se você não está melhorando o seu inglês", ele disse.

O político já foi duramente criticado pelos seus comentários tanto por organizações islâmicas quanto por organizações de direitos humanos e direitos das mulheres. Pegou mal.

De uma tacada só, David Cameron conseguiu ser xenófobo e machista

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