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O que aconteceu com o meu corpo depois que larguei a pílula

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli

Estou me sentindo uma bruxa maravilhosa com domínio sobre a natureza

Quando eu tinha uns quinze anos mais ou menos, comecei a tomar pílula anticoncepcional. O raciocínio foi bem lógico: ia transar, não queria ter babies, #partiupílula. Passei dez anos tomando a pílula todo santo dia. Dez anos de hormônios a mais no meu corpo, de substâncias que, na realidade, eu não precisava. E eu tomava uma daquelas pílulas mais populares (e mais fortes), tomava a Yaz. 

Namorei por quase cinco anos, terminei. Namorei de novo, terminei. Estava solteira e com uma vida sexual bem pouco agitada e bastante segura (porque né. camisinha pipow). Em um final de ano qualquer, calhou de eu ir pra praia em uns três finais de semana que estaria menstruada. Por isso, acabei emendando três cartelas de Yaz só para não menstruar nas férias. É muito hormônio e meu corpo jogou na minha cara que era muito hormônio. Menstruei por um mês seguido.

Depois dessa experiência bizarra, decidi dar um tempo de pílula anticoncepcional. Chega. Não estava precisando, bora tentar coisas diferentes. E depois de dez anos tomando algo religiosamente todos os dias, parei. Assim, do nada. Logo de cara, algumas coisas aconteceram comigo...

Primeiramente, a libido. Que coisa louca. Yaz era famosa por cortar libido e eu não sabia. Largar a pílula anticoncepcional te deixa com um tesão absurdo e eu não sabia. Depois, conversando com outras manas que também largaram a pílula, descobri que era isso mesmo. Tesão. Essa fase foi até meio inconveniente (risos).

Aí vem a fase que também remete à adolescência: a fase das espinhas. Foi horrível. Espinhas no rosto e espinhas nas costas (!!!). Me senti péssima e verdadeiramente tentada a voltar com a pílula. Me mantive firme.

Depois você começa a perceber suas flutuações hormonais. Minha tpm ficou mais clara para mim e totalmente manejável porque era sempre igual. Comecei a sentir dores no peito na tpm que não sentia antes. E tinha uma cólica bem forte no primeiro dia de menstruação. Forte, mas tolerável. 

Com alguns meses sem pílula, seu corpo vira uma coisa incrível que você acaba conhecendo cada vez melhor. Uma coisa meio bruxaria. Como a lua, as mulheres também têm fases. Você começa a perceber seu período de ovulação - porque você sente mais tesão e seu corrimento é diferente, mais espesso, do que o normal. Você percebe quando está de tpm no segundo que começa a alteração hormonal. Percebe quando vai ficar menstruada por mil sinais que seu corpo te dá e que tornam impossível que você não saiba a hora de colocar o absorvente (ou, no meu caso, o copinho menstrual <3). 

A vida sem pílula anticoncepcional é bem boa, vou te dizer. E para a saúde também. Já está mais que provada a relação entre a pílula e doenças como AVC e trombose. Além disso há poucos estudos sobre o uso constante e contínuo da pílula. Afinal ela é relativamente recente. Ainda não deu tempo de saber o que ela causa no seu corpo ao longo de 30, 40, 50 anos. 

Eu sei que em muitos casos ela é usada como remédio, mas também sei que existem terapias alternativas para essas condições médicas. O mais importante é você conversar com o seu médico a respeito das suas opções. E não se preocupe com contracepção: o mundo está cheio de excelentes métodos não-hormonais. Camisinha, btw, é o melhor deles - evita gravidez e doenças de uma tacada só.

#pds #saúde #contracepção #remédio #sexo #sexualidade