TECNOLOGIA

Passou da hora de você deixar de usar o Uber

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli

Porque a empresa americana não merece o seu dinheiro 

Passou da hora de você deixar de usar o Uber

Uma hashtag que volta e meia está entre as mais populares do mundo é a #deleteUber. E há motivos para isso. Quando o aplicativo que conecta galera que precisa se locomover com pessoas que têm um carro e uma carteira de motorista foi lançado no Brasil, ele era visto como algo "chique". Existia apenas a opção do Uber Black (carros sedan pretos, motoristas de terno e gravata, águinha e balinhas de graça e a certeza de que o seu motorista seria respeitoso) e a diferença de valor de uma corrida de táxi para uma de Uber era considerável. 

Mas o app já era problemático. Ou melhor, a empresa que criou o app. Há anos já eram públicas acusações de assédio dentro da empresa, suspeita de uma cultura extremamente machista e muito pouco preocupada com a privacidade dos seus clientes. Um dos fundadores chegou a brincar que poderia fazer um levantamento das corridas feitas por qualquer pessoa que usasse o app - inclusive jornalistas e ex-namoradas de funcionários do Uber. 

Com o tempo, e a concorrência, somaram problemas trabalhistas às polêmicas. O Uber lançou uma nova modalidade, o Uber X, carros comuns que fariam corridas mais baratas. E, de fato, eram bem mais baratas. Uma corrida de Uber pode sair metade de uma de táxi. Além disso, dada a facilidade em se tornar um motorista Uber (especialmente em relação à dificuldade de se conseguir uma licença para táxi), o número de motoristas aumento exponencialmente. Aumentou a oferta, mas a demanda não acompanhou. Com a redução de tarifas e a criação de outras ferramentas (como o Uber Pool - você pode dividir a corrida para uma mesma região com um desconhecido) a grana que os motoristas ganham diminuiu MUITO. Não é mais raro encontrar motoristas cansados, com sono ou sob efeito de substâncias porque para conseguir uma grana decente no final do mês ele precisa ficar doze horas ou mais trabalhando. 

A qualidade do serviço, pergunte a quem quiser, também reduziu muito. Um aplicativo que era vendido como "seguro" passou a receber centenas de denúncias de motoristas assediando mulheres, fazendo corridas ilegais, sendo grosseiros. Carros em má qualidade e até as pequenas coisas que eram vendidas como grandes diferenciais deixaram de existir: foram-se os tempos da águinha, balinha e ar-condicionado ligado. 

Passou da hora de você deixar de usar o Uber

Outras polêmicas como a do preço variável também prejudicam a imagem da empresa. Basicamente, para aumentar o número de motoristas em uma área com muita demanda, o Uber aumenta o valor da corrida (às vezes em até 10x!). Uma atualização do aplicativo tornou esse aumento menos claro e mais difícil de ser identificado. Ou seja, você sai para curtir uma festa e, no dia seguinte, a conta do Uber que era de 20 reais, se tornou 200. 

Para piorar, a empresa tem zero consciência política. No auge da discussão norte-americana sobre islamofobia que veio com o "Muslim Ban" do presidente Donald Trump, taxistas de Nova York se afastaram da região do aeroporto para facilitar e participar de um protesto contra a medida que barrava viajantes de sete países de maioria islâmica de entrarem nos EUA. O Uber, por outro lado, mandou seus motoristas para lá. O CEO da empresa, Travis Kalanick, está em uma lista de 19 executivos que vão aconselhar Trump economicamente. 

Motoristas descontentes, clientes descontentes... a a empresa continua com os mesmos problemas que tinha anos atrás. 

Nessa semana, uma ex-funcionária veio a público falar sobre os problemas que teve com machismo e assédio sexual enquanto trabalhava para o Uber. Susan J. Fowler, em sua página pessoal do Facebook, relatou como assediada por seu gerente. O homem passou a enviar mensagens para ela afirmando que ele estava em um relacionamento aberto e sua namorada conseguia novos parceiros facilmente, mas ele não. E ele estava procurando mulheres para transar. Susan tirou prints da conversa e mandou pro RH do Uber. Aí que a coisa fica pior, porque se vê como é institucionalizado o machismo na empresa. 

Segundo a ex-funcionária, tanto o RH quanto funcionários de alto escalão disseram que o que aconteceu era claramente assédio sexual (duh), mas que era a primeira ofensa do gerente e que eles não fariam nada além de conversar com ele. Além de tudo, o assediador foi descrito como um funcionário de "alta performance" que provavelmente só cometeu um erro inocente.

Susan citou outros casos e o fato de o Uber ser uma das únicas grandes empresas a não divulgar números de diversidade (relatos de que há pouquíssimas mulheres no ambiente de trabalho) só piora a situação. 

Essas revelações fizeram a onda do #deleteUber voltar com tudo. Com tanta merda e com tanta opção por aí (diversos novos apps no estilo já estão no Brasil), está mais do que na hora de você também #deletaroUber.

#uber