SYPPK
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
SYPPK
1BB34097-F786-44E7-9A1A-E8A05C0914DB
Burger
SYPPK
ic-spinner
Todo mundo tem uma história para contar
Encontre as melhores histórias para ler e autores para seguir. Inspire-se e comece a escrever grandes histórias sozinho(a) ou com seus amigos. Compartilhe e deixe o mundo conhecê-las.

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

Amanda Previdelli
há 2 anos35 visualizações

Mulheres compartilham suas histórias com a hashtag #assédionotrabalho

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho
Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

Mais uma campanha feminista incentiva as mulheres a quebrar o silêncio na internet e expor as situações de assédio e violência pelas quais passamos todos os dias. Dessa vez, depois da #chegadefiufiu (cantadas de rua), #meuprimeiroassédio (histórias de crianças e adolescentes sendo assediadas) e #meuamigosecreto (denunciando machismo), os relatos são sobre o ambiente de trabalho. 

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

---

A minha primeira vez sofrendo #assédionotrabalho foi em um estágio que fiz para uma revista dentro da universidade. Um dos chefes de lá, nem lembro o nome dele direito, era todo espalhafatoso, sempre chegava na redação fazendo questão de ser notado, falando alto, fazendo piadas. Um dia, ele me percebeu na redação. Era eu e mais outras duas estagiárias, além da nossa chefe, lá no nosso cantinho. Ele olhou para mim e em um tom de voz que me dá nojo até hoje disse, na frente de todo mundo:

"Noooossa... mas uma loira assim, com esse cabelão solto... eu vou ter que cumprimentar!"

Eu parei de respirar naquele exato momento. Foi uma coisa tão fora do imaginável, tão invasiva, que não consegui responder. Eu devia ter uns 17, 18 anos naquela época. Ele veio andando na minha direção, ignorou as minhas colegas e beijou a minha bochecha. Levantou e foi embora.

Sei que pode parecer pequeno para muita gente, e li relatos de abusos, de coisas mais pesadas e sei que tive "sorte" nesse meu primeiro assédio no ambiente de trabalho. Mas aquilo foi uma merda para mim. Me senti suja, me senti odiada pelas minhas colegas (elas nunca me deram motivo para achar que sentiram nada além de pena por mim naquele momento, mas eu sentia culpa pelo que aconteceu). Nunca mais apareci naquela redação com cabelo solto e ficava policiando as roupas que eu usava. 

Contei para uma amiga que já tinha trabalhado por lá, ela disse que depois de uns meses ele começou a comprar chocolates e doces para ela, chamar para sair... até que ela conseguiu outro estágio e saiu, mesmo - daquela experiência horrorosa.

---

Essa foi só minha primeira experiência com assédio sexual no trabalho. Tive outras. De assédio moral tive incontáveis. Nunca denunciei nenhuma e não sei se hoje teria mais coragem de denunciar, não. 

Compreendo totalmente as 87,% das mulheres vítimas de assédio que não denunciaram, segundo uma pesquisa do Vagas.com. A maior parte delas (40%) tinha medo de perder o emprego, 32% tinham medo de represália, 11% sentiram vergonha e 8% achavam que a culpa era delas. 

Não é. A culpa não é nossa.

Campanha incentiva mulheres a denunciar o assédio sexual no trabalho

#feminismo #feminism #AssédioSexual #AssédioNoTrabalho 

via:

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

Amanda Previdelli
há 2 anos13 visualizações

Para começar essa conversa, precisamos falar que feminismo, como qualquer movimento social ou político, não é uníssono. Ou seja, existem diferentes correntes e modos de pensamento. Muito clássico de pessoas ignorantes sair por aí falando que "toda feminista defende [insira aqui algum ponto polêmico]", quando há debates e mais debates sendo feitos até hoje. 

Colaborar com amigos em assuntos que você ama
Pedir coautoria ▸

A questão do "homem feminista" é um dos pontos polêmicos. Eu sou do tipo que acha que não existe homem feminista, no máximo um "homem em desconstrução" ou um "homem pró-feminismo". Mas isso é bem polêmico, mesmo e vou deixar para outro post.

A questão da "mulher machista" não é polêmica. Nunca conheci uma feminista que defendesse a existência desse conceito depois de uma conversa. Mesmo se a sua tia te falou que você tem que usar saias mais compridas, mandou você ir para a cozinha ajudar sua mãe (mas seu irmão poderia ficar na sala) e, sei lá, ainda de quebra só obedece o marido porque acha que esse é o papel da mulher, mesmo assim ela não é machista. Na verdade o que ela está fazendo é reproduzir o machismo.

Por que essas coisas são diferentes? Simplesmente porque quando ela reproduz o machismo, ela ainda assim sofre com os efeitos dele. Aquela sua amiga que chamou uma garota de "vadia" também vive em uma sociedade extremamente machista, também sofre a opressão machista (que, inclusive, faz com que ela reproduza os discursos machistas) e o mais louco de tudo: também na mira para ser chamada de "vadia". Até porque não precisa muito para isso. Ela pode achar que a menina no baile funk que transa com os caras, ou que dança se esfregando neles é vadia. Isso não impede que ela seja vista como vadia pelas roupas que escolhe usar, pela exposição que tem na mídia, pelas músicas que canta, pelos passos que dança. 

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

Sim, eu fiz uma referência ao discurso que a cantora Anitta fez ano passado no Altas Horas.

Em um programa de televisão, a cantora Anitta saiu falando umas besteiras machistas. Coisas como "a mulher tem que se dar ao respeito", ela não pode sair por aí dançando de tal forma ou falando tais coisas ou transando com tantos caras. O cérebro de muita gente deu tilt ao ouvir ela dizendo esse tipo de coisa. A cantora Pitty, que também estava no programa, rebateu e maneira maravilhosa:

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

É isso. A mulher não tem que se dar ao respeito. Sou um ser humano, você tem que me respeitar de qualquer forma. O respeito que você me deve não está condicionado ao meu comportamento - muito menos ao meu comportamento sexual, que não tem absolutamente nada a ver com você. 

Parêntesis: sem zoeira, uma vez recebi uma mensagem de um menino que mal conheci em uma festa um dia. Ele me perguntava, por inbox no Facebook, e abre aspas: "Amanda, você é uma menina tão legal, por que fica com esses negócios de feminismo?". Já ouvi histórias de meninas que receberam (também do nada) mensagens de ex-namorados. Coisas como "tira essa foto de perfil do FB porque você está pagando mico". Oi??? Ou então a menina posta uma foto com os amigos na praia e - ohcéus! - ela está de biquíni. Aí recebe pérolas como "esse peito aí é de verdade ou silicone?". Não consigo imaginar o que se passa na cabeça de um ómi para que ele de verdade pense "hum... estou aqui, não estou fazendo nada... vou lá dar minha opinião sobre o corpo alheio totalmente sem ter sido solicitado". 

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

Ninguém pediu sua opinião. Muito menos eu.

Quando um cara faz esse tipo de coisa, minha reação depende muito do meu humor. Às vezes estou impaciente e ninguém (repito: NINGUÉM) merece ficar explicando pro machista como deixar de ser babaca. Já tenho que lidar com machismo nas ruas, em casa, no trabalho, em todos os lugares 24/7. Não sou obrigada a dar lição de humanidade pra ómi. Aí eu posso responder com puro e venenoso sarcasmo, posso dar patada ou posso ignorar totalmente. Ninguém pode me culpar pela reação que eu tenho diante de um ataque machista. Outra coisa que também faço com frequência: textão.

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

Agora, e quando é uma mana que está reproduzindo discurso machista? Eu tento ser o mais paciente possível, essa é a verdade. Já falei muita bosta nessa vida. Morro de vergonha. Mas quando você cresce ouvindo certas coisas, é difícil de se desconstruir - eu mesma ainda estou nesse eterno processo que fere o ego e abala o que a gente achava ser nossas estruturas. 

No próprio caso da Anitta e da Pitty, a imprensa e o público tentaram colocar como uma briga de mulheres. Claro que a galera nessa sociedade machista adora uma briga de mulheres. Ainda bem, a Pitty já é uma pessoa mais desconstruída e com certeza está acima dessas disputas ridículas. Rolou isso:

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

É isso. Vamos conversar, vamos trocar mais ideias. "Não tô aqui pra brigar com mulher. Tô aqui é pra brigar com o sistema que faz com que algumas reproduzam discurso machista sem saber". É exatamente isso.

Se livrar dessa noção de competição feminina é uma das melhores coisas que podem acontecer na sua vida, falo por experiência própria. Crescemos olhando os espaços (especialmente os profissionais) e vendo poucas mulheres. Ouvindo que a gente tem que se cuidar, porque se não a fulana pega nosso lugar no trabalho, na escola e até no namoro.

No primeiro e no segundo caso, quem disse que não tem espaço para duas, três, quatro, cem mulheres fortes e maravilhosas? Quem disse que o mundo corporativo é dos homens e a gente entra quase que por cotas? Vamos tomar o que é nosso, sim. Se os homens não brigam entre si no ambiente de trabalho por uma simples questão de gênero - não nego que há competição profissional, mas eles não colocam na mira outros homens pelo simples fato de serem homens - então nós devemos brigar ainda menos. 

E no caso de relacionamentos? Também é bem simples. Uma mina deu em cima do seu namorado. Ok. Ele respondeu aos avanços dela? Sim? Ele é um babaca. Não? Ok, de boa, vida que segue. Não vamos brigar, manas. <3

Não existe mulher machista e competição feminina é intriga da oposição

#feminismo #feminism #gênero 

Você leu a pasta de história
Story cover
escrita por
Writer avatar
aprevidelli
Jornalista