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Faltou feminismo no Globo de Ouro 2016

Talvez fosse a empolgação ainda de 2015, quando tivemos um dos melhores Globos de Ouro e, coincidência ou não, um dos mais feministas, também.

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Amy Poehler e Tina Fey foram críticas, engraçadas e ainda carismáticas, mesmo depois das patadas que deram na indústria inteira. Teve referência ao marido da Amal Clooney (aquele ator que é casado com uma advogada de direitos humanos absolutamente impressionante), teve críticas pesadas a Bill Cosby e teve também comentários maravilhosos como esse:

                            ["Só como base de comparação, levou três horas para eu me preparar para o meu papel de 'mulher humana'"]

E em vez de Tina e Amy, tivemos Ricky Gervais com piadas transfóbicas e críticas a desigualdade de salários válidas, mas mal feitas. Em vez de se manter nas piadas boas - como a de que ele estaria ganhando o mesmo que Tina&Amy, ele preferiu criticar a postura de Jennifer Lawrence, que publicou um artigo sobre as diferenças salariais. Brincando, colocou a atriz como uma menina mimada, que estaria reclamando de ganhar 52 milhões de dólares. Não, amigo, ela está reclamando de ganhar metade do que Bradley Cooper ganha. Seja essa metade 52 milhões de dólares ou 52 reais. No próprio artigo dela ela colocou uma ressalva dizendo que sabia o quão privilegiada ela é. 

2016 tinha altas expectativas não só por causa da cerimônia do ano passado e do quanto a luta das mulheres cresceu em 2015. 2016 também tinha um forte concorrente ao GG de melhor filme: Carol, um longa sobre o complicado relacionamento entre duas mulheres na década de 1950. Mas o filme, um dos que concorria em mais categorias, não levou nada. 

Vamos dar uma olhada nos grandes vencedores da noite de ontem?

Melhor filme: em uma categoria com dois filmes que protagonizavam fortes mulheres, e um terceiro que foi considerado feminista (Mad Max: Fury Road), venceu a história do homem sobrevivente. Um filme protagonizado por homens (sério, nenhuma personagem mulher de relevância), escrito, dirigido e produzido por homens (só duas mulheres na equipe de 18 pessoas).

Melhor filme de comédia: são cinco indicados. Desses, três têm protagonistas mulheres. O vencedor? O filme sobre o homem que fica sozinho em Marte.

Melhor diretor: cinco indicados. Cinco homens. Cinco brancos.

Melhor roteiro: ganhou a história sobre o homem branco que construiu um império (Steve Jobs). O filme sobre a mulher que passou anos em um cativeiro junto com o seu filho deu o Globo de Ouro de melhor atriz protagonista para Brie Larson e esteve entre os indicados para melhor filme drama, mas não levou melhor roteiro.

Não é meu lugar de fala, mas não dá para não reparar a falta de diversidade entre os indicados e especialmente entre os vencedores. Não é porque você dá o prêmio de honra para um negro que iguala a balança. 

Aliás, falando sobre o Cecil B. DeMille (o tal do prêmio), só uma mulher (Jodie Foster em 2013) ganhou nos últimos dez anos. Antes dela, a mais recente foi Barbra Streisand em 2000. Foram só 13 mulheres entre os 64 vencedores. Apenas que: Meryl Streep nunca ganhou. Preciso dizer mais?

Claro que só porque um filme tem um protagonista homem, não quer dizer que ele não seja o melhor filme do ano. Ou só porque um ator é homem, não quer dizer que ele não mereça o prêmio de 'conquistas na carreira'. Mas quando isso acontece sistematicamente, ano após ano e em diversas categorias, tem que ser questionado e problematizado, sim.

Faltou feminismo no Globo de Ouro 2016

                        Sdds, Tina&Amy

*Em tempo, parece até que a Sheila Vieira fez isso para mim:

#feminismo #globodeouro #tinafey #amypoehler #machismo #igualdadesalarial

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escrita por
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aprevidelli
Jornalista