CONGRESSO

O que acontece agora que a 2ª denúncia contra Temer foi barrada

Bea
Autor
Bea
O que acontece agora que a 2ª denúncia contra Temer foi barrada

O presidente Michel Temer recebe alta e deixa o Hospital do Exército de Brasília, após ser internado com obstrução urológica, na quarta-feira (25). (Foto: Andre Borges/AGIF)

A Câmara dos Deputados rejeitou na noite desta quarta-feira (25) o prosseguimento da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer para o Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, o processo ficará parado no STF até o final do mandato de Temer, em 31 de dezembro de 2018. 

Dessa vez, o presidente foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) pelos crimes de organização criminosa e obstrução de justiça. Em 2019, quando Temer não tiver mais o foro privilegiado, o STF deverá designar um juiz de primeira instância para analisar a denúncia - essa escolha depende de onde o delito ocorreu. 

Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) também foram denunciados por organização criminosa. A decisão da Câmara também afetou os dois, mas o STF ainda tem que definir como fica o processo deles. 

REFORMAS

No Congresso, o governo deve retomar a votação de reformas. Segundo o ministro Eliseu Padilha, da Casa Civil, o governo quer aprovar a Reforma da Previdência ainda em 2017. As mudanças nas regras da previdência já foram aprovadas em uma comissão da Câmara, cabe agora ao plenário analisar as propostas. Depois, será a vez do Senado discutir o texto. 

Na economia, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles já avisou que o governo vai "dar continuidade à reforma da economia brasileira" com o ajuste das contas públicas e ações para aumentar a produtividade. 

Segundo analistas políticos, no entanto, nada disso será fácil para Temer, que vê seu capital político sair enfraquecido dessa segunda votação. Medidas impopulares, como a Reforma da Previdência, perdem força com os políticos que buscam a reeleição, já que falta menos de um ano para as eleições de 2018. 

O desafio do governo será ainda maior para conseguir aprovar mudanças na Constituição, como a Reforma da Previdência, que exigem 308 votos no plenário - na votação de ontem, Temer conseguiu 251 votos a seu favor. 

Após o final da votação ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reconheceu que o Palácio do Planalto precisará trabalhar para reorganizar a base aliada. 

“O presidente é um homem experiente, viveu talvez o momento mais difícil da história política dele. Ele, certamente, a partir de agora, vai refletir e vai avaliar quais são as melhores condições para que ele possa restabelecer uma base para aprovar projetos de interesse do governo”, afirmou Maia.