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Bruna Campos
brurrchá 6 meses

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Hoje foi a primeira vez

Bruna Campos
há 6 meses24 visualizações
Hoje foi a primeira vez
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Hoje foi a primeira vez que eu sai de casa. No sentido mais profundo da palavra. Sempre tive estabelecido várias metas em minha vida e inúmeros sonhos foram sendo construídos em minha mente ao decorrer dos anos. Queria ter tido a sorte de ter um único grande objetivo e me dedicar a ele pelo resto dos meus dias, e às vezes é surpreendente uma pessoa tão pequena como eu querer coisas tão grandes como o mundo. Queria ter tido a sorte de permanecer focada em um só propósito, como encontrar o grande amor da minha vida ou ter uma carreira bem sucedida, ou formar uma família, ou viajar, ou conseguir ajudar os outros. Mas o problema é esse: Eu quero tudo.

Quero encontrar o grande amor da minha vida porque acredito cegamente que ele exista, e que está por aí em algum lugar. Provavelmente eu devo até ter cruzado com ele algumas vezes, mas nosso próprio caminho é cheio de curvas que insistem em se cruzar apenas quando os dois estiverem preparados. Acredito nesse amor romântico, idealizado, clichê. Mas também acredito no amor que se encontra todos os dias quando acordamos, quando choramos, quando conquistamos algo importante, quando ajudamos alguém - quando nos olhamos no espelho. Esse amor, singelo e difícil, que cresce ainda mais a partir do momento em que o colocamos em primeiro lugar. Não por egoísmo, mas por necessidade.

Só que eu também queria uma carreira bem sucedida. Queria me sentir realizada naquilo que escolhi como minha profissão. Desejava me sentir útil e importante, mesmo sabendo que minha fraqueza toma o controle da situação algumas vezes. Porque me reconheço fraca quando minto, quando machuco o outro intencionalmente, quando sinto raiva, ódio, rancor. Quando me nego a lidar com tudo isso. E ao mesmo tempo me considero muito corajosa ao admitir o erro, sentindo assim que corro mais rápido em direção as minhas vontades.

Queria viajar e conhecer novos lugares, países, pessoas. Ter novas experiências, sair da minha zona de conforto, que sempre me dá a errada sensação de que tudo está bem do jeito que está. Sempre me leva a crer que as coisas mais fáceis são melhores só porque chegam mais rápido. E eu, ansiosa como sou, quase cai nessa armadilha. Só que ninguém nunca me disse que aquilo que a gente mais teme na vida é quase sempre uma ótima forma de aprender sobre ela. Ninguém nunca me disse que eu alcançaria os meus sonhos, mas me fizeram dar certeza de que eu nunca desistiria deles, por mais difíceis que eles fossem.

Por fim, gostaria de ajudar aos outros. A gente não pode – infelizmente, e acredite em mim, como me dói saber que não -, mudar o passado da história. Todas as guerras, preconceitos, injustiças, a falta de amor ao próximo. Mas podemos ajudar a construir um futuro melhor para cada pessoa que teve seu direito de liberdade retirado. Podemos lutar contra a homofobia, o racismo, o machismo, a misoginia e todas as outras formas de preconceitos e desigualdades que prevalecem até hoje por aqui. Como eu queria ter voz para tentar mudar a situação. Como eu gostaria de saber por onde começar.

Hoje eu sai pela primeira vez pra fora da minha casa. Do meu conforto, de perto das pessoas que eu mais amo no mundo, para tentar ir atrás de um pouquinho disso tudo. Abandonei minhas roupas lavadas, minha comida quentinha, meus inúmeros dias de privilégios e generosidades, tentando conquistar um lugar no mundo e encontrar um pedaço de mim. A estrada é longa e tortuosa, mas não tenho dúvidas de que será recompensadora e que me trará muita sabedoria e inteligência espiritual. O medo do novo caminha comigo, mais presente do que nunca, mas saber que eu sou – sempre-, maior do que ele, já é motivo mais que suficiente para continuar. Espero de coração que isso também seja para vocês.

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brurrc
''La vida no es la fiesta que habíamos imaginado, pero ya que estamos aquí, bailemos.''