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Precisamos de um "Tô Feliz (Matei o Presidente) parte 2" de Gabriel o Pensador?

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Precisamos de um "Tô Feliz (Matei o Presidente) parte 2" de Gabriel o Pensador?

(Reprodução)

Segundo dados da Pesquisa Ibope, a aprovação do presidente Michel Temer, em setembro deste ano, era de 3%. A desesperança com o país nunca esteve tão grande e não há nenhum sinal de melhora até janeiro de 2019, quando finalmente teremos a troca de mandatário.

Aproveitando o momento crítico do Brasil, Gabriel, o Pensador, lançou hoje o seu mais novo protesto, inspirado em algo mais velho que a urna eletrônica, a reeleição e a carreira política do Tiririca. "Tô Feliz (Matei o Presidente) 2" é uma espécie de "continuação" do hit que fez o rapper carioca famoso, em 1992. Naquela época, o jovem Gabriel estourou nas paradas de sucesso por pedir a cabeça do então presidente, Fernando Collor de Mello.

A original "Tô Feliz (Matei o Presidente)" chegou a ser censurada pelo governo Collor, mas acabou entrando no primeiro disco do rapper, de 1993, que também tinha "Retrato de Um Playboy" e "Lôraburra".

O momento, obviamente, é muito diferente daquele que vivíamos em 1992. Fernando Collor, apesar de na época de seu impeachment estar sendo criticado por toda a imprensa, havia sido eleito democraticamente.

O governo Temer, por outro lado, não foi eleito nas urnas, praticamente nunca teve apoio popular e sempre foi um alvo mais "fácil", o que não torna o protesto de Gabriel inválido. Em tempos provavelmente mais sombrios do que os da era Collor, qualquer voz que se levante de maneira firme, como faz o rapper de 44 anos, é bem vinda.

Apesar de no final dizer que é tudo uma brincadeira, quando diz "eu não matei nem vou matar literalmente um presidente" por ser "contra a violência" e que agora é "palestrante e autor de livro infantil", a letra de Gabriel traz boas ideias e reflete o sentimento de um povo que parece estar mais cansado do que revoltado.

O cantor disse que a ideia da  música surgiu quando o atual governo anunciou o decreto que liberava uma área de Reserva enorme da Amazônia para a mineração, além de ter recebido inúmeros pedidos para fazer essa "parte 2".

Ouça a música (feita em parceria com Papatinho, do ConeCrew) e tire as suas próprias conclusões:

Veja aqui a letra completa:

Todo mundo bateu palma quando o copo caiu

Eu acabava de matar o presidente do Brasil

A criminalidade toma conta da minha mente

Achei que não teria que fazê-lo novamente

Mas tenho pesadelos recorrentes, o Temer na minha frente

E eu cantando "Tô feliz, matei o presidente"

Fantasmas do passado, dos meus tempos de assassino

Quando eu matei o outro, eu era apenas um menino

Agora, palestrante, autor de livro infantil

Não fica bem matar o presidente do Brasil

Mas a vontade é grande, tá difícil segurar

Já sei, vamo pra DP, vou me entregar

Chama o delegado, por favor

Sou Gabriel O Pensador

O homem que eles amam odiar

Cantei "FDP", "Pega Ladrão", "Nunca Serão"

Agora "Chega"! "Até Quando" a gente vai ter que apanhar?

Porrada da esquerda e da direita

Derrubaram algumas peças, mas a mesa tá difícil de virar

Anota o meu depoimento e me prende aqui dentro

Que eu não quero ir pra Brasília dar um tiro no Michel

"Aí, que maravilha! Mata mesmo esse vampiro

Mas um tiro é muito pouco, Gabriel

Mata e canta assim:"

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente

Fiquei até surpreso quando correu a notícia

E a polícia ofereceu apoio pra minha missão

"Ninguém vai te prender, policial também é povo

Já matamo presidente, irmão, vai lá e faz de novo"

Que é isso?! Eu sou da paz, detesto arma de fogo

Deve ter outro jeito de o Brasil virar o jogo

"Que nada, Pensador! Vai lá e não deixa ninguém vivo

Se é contra arma de fogo, vai no estilo dos nativos

Invade a Câmara e pega os sacanas distraídos

Com veneno na zarabatana, bem no pé do ouvido

Em nome da Amazônia desmatada

Leva um arco e muitas flechas e finca uma no coração de cada

Cambada de demônio; demorou, manda pro inferno

Já tão todos de terno, e pro enterro vai facilitar

Envia pro capeta com as maletas de dinheiro sujo

De sangue de tantos brasileiros e vamos cantar"

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente

Áudio e vídeo divulgados, crime escancarado

Mas nem é julgado

Já tinha comprado vários deputados

Fora o foro privilegiado

Então mata o desgraçado

Na comemoração tem a decapitação

Cabeça vira bola e a pelada vai rolar (Chuta!)

Corta a cabeça dele sem perdão

Que essa cabeça rolando vale mais do que o Neymar

(É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador

É Pensador, é Pensador, é Gabriel O Pensador...)

Fácil, um tiro só, bem no olho do safado

E não me arrependo nem um pouco do que eu fiz

Tomei uma providência que me fez muito feliz

Hoje eu tô feliz, hoje eu tô feliz

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Hoje eu tô feliz, matei o presidente

Matei o presidente, matei o presidente

Matei o presidente

(Matei o presidente, matei o presidente, matei o presidente)

Eu não matei nem vou matar literalmente um presidente

Mas se todos corruptos morressem de repente

Ia ser tudo diferente, ia sobrar tanto dinheiro

Que andaríamos nas ruas sem temer o tempo inteiro

Seu pai não ia ser assaltado, seu filho não ia virar ladrão

Sua mãe não ia morrer na fila do hospital

E seu primo não ia se matar no Natal

Seu professor não ia lecionar sem esperança

Você não ia querer fazer uma mudança de país?

Sua filha ia poder brincar com outras crianças

E ninguém teria que matar ninguém pra ser feliz

Hoje, estar feliz é uma ilusão

E é o povo desunido que se mata por partido

Sem razão e sem noção

Chamando políticos ridículos de Mito

E às vezes nem acredito num futuro mais bonito

Quando o grito é sufocado pelo crime organizado instituído

Que censura, tortura e fatura em cima da desgraça

Mas, no fundo, ainda creio no poder da massa

Nossa voz tomando as praças, encurtando as diferenças

Recompondo essa bagaça, quero é recompensa

O Pensador é contra violência

Mas aqui a gente peca por excesso de paciência

Com o "rouba, mas faz" dos verdadeiros marginais

São chamados de Doutor e Vossa Excelência