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Cuidado leitores, nem sempre a informação oficial é verdadeira

Daniel Akstein Batista
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Daniel Akstein Batista

Em tempo de internet e mídias sociais, estamos nos acostumando a viver na era da informação instantânea. Todos dão sua opinião, falam o que quiser, e muitas declarações se tornam verdades em questão de minutos sem ser. Temos de ter cuidado para filtrar o que é ou não real. Mas complicado é quando precisamos fazer isso mesmo quando uma informação vem de algum órgão oficial.

Sou jornalista, e como tal aprendi a indagar um fato algumas vezes mais do que talvez fosse necessário. E essa semana o também jornalista Jamil Chade, correspondente do jornal ‘O Estado de S. Paulo’ na Europa, publicou no seu Facebook um dado alarmante. Na Suíça, o Comitê Olímpico Internacional (COI) conversou com a imprensa sobre a situação dos Jogos do Rio. E o que foi falado é que tudo caminha bem para a Olimpíada, com os dirigentes não estando preocupados com a situação política do nosso país.

Pois bem, se parássemos por aí o que imaginaríamos? Que o COI está satisfeito com o andamento dos Jogos, certo? Afinal, foi esta a declaração oficial da entidade. Mas, astuto e experiente que é, Jamil Chade não parou na coletiva de imprensa e descobriu o que foi realmente falado na reunião do COI antes de eles se pronunciarem ao mundo: há muitos problemas a serem resolvidos no Rio. Aqui está a narração do Jamil em sua página no Face:

Cuidado leitores, nem sempre a informação oficial é verdadeira

As duas perguntas iniciais que Jamil faz são realmente importantes. As coletivas de imprensa são uma fraude? E, se sim, nós jornalistas não somos cúmplices dessa farsa?

A verdade é que não é de se estranhar que o COI vai tentar esconder até o último minuto a sua preocupação com os Jogos do Rio ou possíveis problemas. Assim como determinado político vai dizer que não está envolvido em algum escândalo, por mais que seja verdade (e não faltam escândalos políticos nesta semana, né?).

No futebol vemos as mesmíssimas coisas. Já participei de várias coletivas em que um dirigente falou que o técnico está mantido no cargo, quando dali a 5 minutos ele vai ser demitido. Ou diretor negando uma contratação quando na verdade um jogador está até com contrato assinado. Ou presidente de clube afirmando que os salários não estão atrasados, quando o próprio atleta diz que não recebe há dois meses.

Sim, é nosso papel de jornalista fugir das declarações oficiais para buscar a informação exata dos fatos. Mas e quem está em casa vendo este dirigente, político ou qualquer outro falando na tevê ou rádio? Como nos mostrou Jamil, infelizmente temos de deixar o ‘desconfiômetro’ ligado. Nem sempre a afirmação oficial é verdadeira. 

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