FUTEBOL

O dia em que marquei um gol no goleiro Marcos

Daniel Akstein Batista
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Daniel Akstein Batista
O dia em que marquei um gol no goleiro Marcos

Era dezembro de 2012.

O goleiro Marcos, do Palmeiras, se preparava para sua despedida dos gramados, no jogo-festa que seria disputado dia 12/12/12, referência ao número de sua camisa.

Era seu último treino, uma atividade repleta de jornalistas. Eu e mais umas dezenas de profissionais da imprensa. E Marcos numa brincadeira com crianças que foram convidadas para o dia: elas batiam pênalti e o goleiro pegava ou deixava a bola entrar.

Eis que um colega brinca, ao lado da trave e no ouvido de Marcos: ‘quero ver pegar as nossas cobranças’. E não é que ele aceitou!

Marcos era um desses jogadores que ele mesmo dizia ‘peça rara’. “Vocês estão ferrados quando eu aposentar, agora só vão ouvir aquele discurso padrão ‘graças a Deus ganhamos’ e ‘perdemos porque infelizmente não deu’, dizia ele para os jornalistas, caindo na risada. Mas dizia sério, pois sabia que ele era um dos poucos atletas que davam uma entrevista sincera, falava o que tinha de ser dito, fugia da mesmice.

Por ter sido setorista do Palmeiras (aquele que acompanha um time diariamente), estive no clube por mais de cinco anos. Acompanhei de perto o final da carreira deste que é o melhor goleiro que vi atuar. E brincava sempre, com o assessor de imprensa: ‘Faz uma competição de pênaltis entre o Marcos e os jornalistas. Quem fizer mais gol ganha uma entrevista dele’. Claro que isso nunca aconteceu.

Mas o pênalti que sempre pensei em bater realmente veio naquele fim de ano de 2012. Marcos topou a brincadeira e a fila de jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas se formou. Homens e mulheres.

Alguns palmeirenses confessaram depois que erraram o pênalti de propósito. Queriam ter uma cobrança defendida por Marcos. Eu não, queria marcar o meu.

Por mais brincadeira que fosse, as pernas tremeram na hora de bater na bola. Marcos cresceu umas três vezes de tamanho, o espaço entre as traves diminuiu. Bati alto, colocado, vi o goleiro encostar na bola e ela cair dentro do gol.

Sei que se fosse sério Marcos defenderia o pênalti. Mas já valeu o momento ter visto ele se esticar e não conseguir a defesa. E só faltou uma coisa daquele dia: uma foto que registrasse o momento. Fica a lembrança, ao menos.