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Uma selfie e um golfinho morto. Até onde vai a estupidez humana?

Daniel Akstein Batista
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Daniel Akstein Batista

Até que ponto chega a ignorância humana? Desde quando uma foto vale mais que uma vida? Uma selfie, uma inocente selfie, não é tão inocente assim.

Outro dia um amigo meu viajou para Punta Cana. Entre os passeios, fez um em que nadava com golfinhos. Como recordação, tirou fotos e pagou 100 dólares pela imagem. Caro não? Mas valia a pena ter a foto como lembrança, afinal, quando você consegue estar lado a lado com um golfinho?

Pois na Argentina um grupo de banhistas encontrou um golfinho na praia de Santa Teresita neste último fim de semana. Ele apareceu perto da areia aparentemente já debilitado e foram retirá-lo do mar. O problema é que esta espécie de animal, o golfinho-franciscano, não aguenta muito tempo fora da água.  E logo ele morreu (ainda há dúvidas se ele já chegou morto à praia ou não).

Largado na areia, as pessoas foram se juntando e passando a mão no animal. Fotos foram tiradas. Uma multidão se juntou e passou a tirar mais selfies.

Uma selfie e um golfinho morto. Até onde vai a estupidez humana?

A Fundação Vida Silvestre Argentina soltou um comunicando criticando o fato: "Devemos informar a população sobre a necessidade urgente de devolver esses animais ao mar . É fundamental que as pessoas ajudem no regaste desses golfinho, porque cada um deles importa".

O turista Hernán Coria foi quem fez a foto e o vídeo abaixo do exato momento em que encontraram o golfinho. Em uma entrevista, ele chegou a dizer que o golfinho chegou já morto à praia, mas pelas imagens não dá pra precisar o fato.

O golfinho-franciscano é um dos menores do mundo e é encontrado praticamente só na Argentina. E, por viver muito perto da orla, acaba sendo presa fácil de caçadores e agora de pessoas atrás de selfies.

Até onde vai a estupidez humana?