ENTRETENIMENTO

Globo não está nem aí para a agenda do cinema... e as distribuidoras não ligam

Diego Edu Fernandes
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Diego Edu Fernandes
Globo não está nem aí para a agenda do cinema... e as distribuidoras não ligam

O Esporte Espetacular, o programa esportivo de maior audiência da televisão brasileira, exibiu hoje (29) uma reportagem sobre machismo no esporte, motivado pelo lançamento de A Guerra dos Sexos no cinema. A matéria trouxe aspas dos atores Steve Carell (Café Society) e Emma Stone (La La Land), contou a história real que inspirou o roteiro do filme, e reaproveitou experimentos da campanha Fight Like a Girl.

O investimento da Fox, distribuidora do filme, para fornecer material para a redação do programa foi considerável. Pena que a reportagem foi ao ar duas semanas após a estreia, que ocorreu em 19 de outubro. Agora o título já prepara sua despedida do circuito. Se a atração fosse veiculada na edição do dia 15, antes do lançamento, ou até no dia 22, no final de semana de estreia; haveria um retorno justificável.

Quando se trata de uma produção da casa, a Globo fica bem antenada com datas, marca entrevista no Conversa com Bial, faz matéria no Video Show e os cambau. Porém, na maioria das vezes, a empresa (como outras redes de televisão) está pouco se lixando para a agenda dos filmes – e nem é obrigação dela ter isso em mente. O problema reside nas distribuidoras, e suas assessorias de imprensa, que não aprendem com essa negligência e continuam atirando dinheiro pela janela. Nem vamos falar sobre como essa verba poderia ser redirecionada para veículos de imprensa menores e mais respeitosos porque não quero começar toda uma tese por aqui. Voltemos ao assunto da vez.

Globo não está nem aí para a agenda do cinema... e as distribuidoras não ligam

O finado CQC, por exemplo, exibiu matéria sobre a comédia Tudo por um Furo (2013) mais de um mês antes do lançamento do longa nos cinemas. Quando o filme finalmente pousou no circuito, nenhum espectador se lembrava das gracinhas dos repórteres com o elenco. Casos similares já ocorreram com Pânico e outros programas. Nada disso desencorajou as distribuidoras a pagarem passagem e hospedagem para representantes dessas atrações.

O povo do marketing (esses lindos) vai justificar que o custo de veiculação de um material tão extenso na maior rede de televisão do País seria alto, e conseguir a divulgação de forma espontânea vale a pena. Na planilha do Excel faz sentido, mas na vida real as coisas mudam.

A Guerra dos Sexos foi um lançamento pequeno e agora permanece em cartaz em apenas seis cidades brasileiras. No estado de São Paulo, são apenas nove salas, todas na capital – isso até quinta, quando chegam novos títulos no circuito. Então, quem viu a reportagem e se interessou pela produção tem quatro dias para caçar os poucos exibidores que mantém o filme em cartaz.

Portanto, a matéria do Esporte Espetacular sobre o longa foi um presente para a Fox tão bacana quanto uma Ferrari para um náufrago em uma ilha deserta. Tem seu valor, mas não tem muita serventia.