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MasterChef: Atendendo a pedidos

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Em cursos pré-vestibulares, os professores orientam os alunos a prestarem atenção aos enunciados das questões dos testes para saberem exatamente o que se pergunta. Na competição culinária televisiva, um cuidado semelhante é necessário: estar vigilante ao que se pede em cada prova.

Na primeira parte do episódio de MasterChef Profissionais que foi ao ar na última terça (03), os competidores se dividiram em duas equipes para prepararem PFs a 80 pessoas. Além de escancarar alianças e afinidades, a prova tinha o seguinte pedido: dar um ar sofisticado para as quatro opções bem caseiras de pratos do cardápio. 

Francisco chefiou o time vermelho e se focou no sabor, sem qualquer preocupação com a apresentação. Com menor experiência profissional do que qualquer outro participante, Raissa penou para liderar os azuis, mas não deixou de lado um toque requintado em suas preparações. Mesmo com um serviço muito mais caótico do que a concorrência, ganharam de lavada na preferência do público. As apresentações dos pratos eram mais cuidadosas, além do carinho de um simples couvert (massa de pastel frita com queijo coalho ralado) que roubou o coração de possíveis indecisos.

É preferível que o fluxo em uma cozinha seja harmonioso e eficiente, mas é preciso ter em mente que no final do dia o que conta são os pratos, seja do ponto de vista estético, seja no sabor. Por conta do previsível autoritarismo e excesso de confiança, Francisco sufocou os colegas de time, enquanto o receio de Raissa deu espaço para sugestões valiosas dos outros membros do grupo – além de Ravi novamente entrar em cena para salvar o rolê.

MasterChef: Atendendo a pedidos

A eliminação do episódio também se deu por um descuido aos critérios de avaliação. Os cinco cozinheiros do time vermelho tiveram de fazer uma sobremesa acompanhada por uma escultura de chocolate. Quem fosse pior nos quesitos técnicos, estéticos e no paladar seria eliminado. E foi assim que a sina de Mirna foi selada.

Para não rodar na prova eliminatória, os participantes tinham duas opções, tendo em mente que o objetivo é não ser o pior. O caminho mais acessível seria concentrar as forças no sabor de uma sobremesa que o profissional domine, usar o non-sense como escudo (a exemplo de muitos aspirantes a artistas) e apresentar uma escultura abstrata e de estética questionável. A segunda opção seria se esmerar na técnica e entregar uma escultura impressionante que acompanhe uma sobremesa medíocre. Quem mais se aproximou do primeiro método foi Francisco, com um prato que executa a décadas em uma montagem esdrúxula. Já o segundo expediente foi seguido por Angélica (dentro do possível), com uma sobremesa nada surpreendente, mas com apuro técnico superior aos demais e uma onda de chocolate.

Enquanto isso, Mirna ficou pelo meio do caminho, fez uma sobremesa sem complexidade no paladar e doce demais, como apresentou Clécio. O que determinou o desempate entre os dois foi a estética. O mineiro demonstrou maior ousadia ao incorporar peças de caramelo em um prato mais complexo e com maior altura.

Assim, MasterChef se despediu da carismática pernambucana e prova que, em uma competição de alto nível, parar e pensar em cada estratégia é determinante para a sobrevivência no reality.

MasterChef: A segurança do cozinheiro

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“Será que sei mesmo cozinhar?”, disse Mirna em um dos episódios mais lacrimosos de toda a história do MasterChef Brasil, exibido na noite de terça (26). A cozinheira tem grande experiência no Maní, um dos mais badalados restaurantes de São Paulo, e mesmo assim duvidou de suas capacidades depois de ouvir críticas negativas a sua performance ao cozinhar língua de gado. Como em toda atividade criativa, a segurança tem grande impacto no psicológico do cozinheiro e foi crucial no destino de Guilherme, o eliminado da semana. Falaremos disso mais adiante no texto.

Lubyanca também foi vitimada pela pressão da competição. No leilão de tempo para arrematar qual corte de carne seria a estrela de seu prato, ela se confundiu com a dinâmica e investiu mais tempo do que planejava para levar o prime rib. Felizmente conseguiu dar conta, foi mediana e sobrevive na disputa.

No dia a dia da cozinha, não existem as mesmas cobranças esdrúxulas que são apresentadas no reality, porém todo cozinheiro precisa se preparar para atuar sob pressão. Muitos imprevistos podem acontecer (e frequentemente acontecem) para cobrar jogo de cintura do profissional. Nesses momentos, a segurança é um poderosa aliada. Quando em dúvida, devemos relembrar as bases e ouvir a intuição.

MasterChef: A segurança do cozinheiro

Agora o caso sério de Guilherme com a segurança gastronômica. Na primeira prova, teimou que seu prato estava saboroso, apesar de não encontrar eco no retorno de nenhum jurado. Não é a primeira vez que algum candidato culpa a subjetividade, normalmente sem razão. No tira-teima opinativo, quem decide são os jurados e Guilherme foi encaminhado na prova de eliminação.

Depois do leilão de carnes, o paulistano teve de cozinhar fígado bovino e optou por apresentar dois pratos: um patê e um PF. Até aí tudo bem, não fosse o ponto extremamente malpassado da carne na segunda preparação. O cozinheiro se defendeu alegando que ele gosta de comer fígado assim, com o interior quase cru. Problema dele! Gastronomia tem margem para interpretação, como o caso de Monique e o sal na carne, mas existem cânones a serem respeitados. Um dos princípios é não servir fígado malpassado, a não ser que assim seja requisitado pelo cliente. Não há espaço para a segurança do cozinheiro nesse assunto.

Cozinhar é um ato de amor... aos ingredientes e a quem irá consumi-los. Impor a vontade pessoal do chef é possível e pode até trazer resultados positivos, mas não em uma prova de eliminação.

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diego.edu
Chef de cozinha e crítico de cinema nas horas vagas. E vice versa.