COMPORTAMENTO

MasterChef: A segurança do cozinheiro

Diego Edu Fernandes
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Diego Edu Fernandes
MasterChef: A segurança do cozinheiro

“Será que sei mesmo cozinhar?”, disse Mirna em um dos episódios mais lacrimosos de toda a história do MasterChef Brasil, exibido na noite de terça (26). A cozinheira tem grande experiência no Maní, um dos mais badalados restaurantes de São Paulo, e mesmo assim duvidou de suas capacidades depois de ouvir críticas negativas a sua performance ao cozinhar língua de gado. Como em toda atividade criativa, a segurança tem grande impacto no psicológico do cozinheiro e foi crucial no destino de Guilherme, o eliminado da semana. Falaremos disso mais adiante no texto.

Lubyanca também foi vitimada pela pressão da competição. No leilão de tempo para arrematar qual corte de carne seria a estrela de seu prato, ela se confundiu com a dinâmica e investiu mais tempo do que planejava para levar o prime rib. Felizmente conseguiu dar conta, foi mediana e sobrevive na disputa.

No dia a dia da cozinha, não existem as mesmas cobranças esdrúxulas que são apresentadas no reality, porém todo cozinheiro precisa se preparar para atuar sob pressão. Muitos imprevistos podem acontecer (e frequentemente acontecem) para cobrar jogo de cintura do profissional. Nesses momentos, a segurança é um poderosa aliada. Quando em dúvida, devemos relembrar as bases e ouvir a intuição.

MasterChef: A segurança do cozinheiro

Agora o caso sério de Guilherme com a segurança gastronômica. Na primeira prova, teimou que seu prato estava saboroso, apesar de não encontrar eco no retorno de nenhum jurado. Não é a primeira vez que algum candidato culpa a subjetividade, normalmente sem razão. No tira-teima opinativo, quem decide são os jurados e Guilherme foi encaminhado na prova de eliminação.

Depois do leilão de carnes, o paulistano teve de cozinhar fígado bovino e optou por apresentar dois pratos: um patê e um PF. Até aí tudo bem, não fosse o ponto extremamente malpassado da carne na segunda preparação. O cozinheiro se defendeu alegando que ele gosta de comer fígado assim, com o interior quase cru. Problema dele! Gastronomia tem margem para interpretação, como o caso de Monique e o sal na carne, mas existem cânones a serem respeitados. Um dos princípios é não servir fígado malpassado, a não ser que assim seja requisitado pelo cliente. Não há espaço para a segurança do cozinheiro nesse assunto.

Cozinhar é um ato de amor... aos ingredientes e a quem irá consumi-los. Impor a vontade pessoal do chef é possível e pode até trazer resultados positivos, mas não em uma prova de eliminação.