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Para Aguinaldo Silva, homofobia é aceitável

Diego Edu Fernandes
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Diego Edu Fernandes
Para Aguinaldo Silva, homofobia é aceitável

Na madrugada de 14 para 15 de novembro, o novelista Aguinaldo Silva foi o convidado do programa Conversa com Bial. Durante o papo, o escritor retomou uma posição polêmica que adotou no passado, quando declarou que em suas novelas não há espaço para beijo gay.

Homossexual assumido, o autor justificou que, quando escreve uma novela, precisa ter em mente os 60 milhões de espectadores em casa, e não apenas seus pares. Por isso, quando é exibido um beijo entre dois homens, em algum domicílio haverá uma criança que vai perguntar a sua mãe o que está acontecendo na tela e essa mulher não saberá o que dizer. O exemplo foi dado pelo próprio Aguinaldo na entrevista.

Não é o local de entrar no mérito de classificação indicativa ou discutir o que uma criança faz acordada diante de uma televisão às 22h. O problema real é que a arte é feita para incomodar. Quando Picasso pintou Guernica, não pensou que a violência do quadro poderia causar algum dessabor. O objetivo ali é denunciar uma chacina.

Em nome de não incomodar a “tradicional família brasileira”, o escritor abre mão de expor a forma de amor que ele mesmo vivencia em seu campo pessoal. Além disso, admite que estão corretas as pessoas que não aceitam conviver com a homossexualidade. Assim como é inadmissível o massacre de uma cidade, são inaceitáveis comportamentos homofóbicos. Portanto, as pessoas precisam ser expostas ao afeto homossexual.

Se formos nos pautar por convicções pessoais que limitam a liberdade alheia, não se pode mais haver novelas nas quais heróis e heroínas praticam sexo pré-marital, porque vai contra os ditames de muitas religiões. Da mesma forma que a sociedade já superou essa falácia, clama-se por lutar contra o preconceito sobre a diversidade sexual.

Com o propósito de não incomodar quem vive no passado, Aguinaldo praticamente declara que a homofobia é aceitável. Um desserviço a toda uma parcela da população.