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Em EP, Kamasi Washington faz busca constante pelo "diverso"

Diego Felix
há 19 dias70 visualizações

Harmony of Difference, novo EP do aclamado saxofonista, Kamasi Washington, é um pequeno emaranhado de pequenas percepções que o músico vem coletando ao longo dos últimos dois anos do pós Epic – disco de estreia audacioso, celebrado e cultuado, tido como uma espécie de renascimento do Spiritual Jazz, tão próprio de John Coltrane.

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O EP não se promete enorme como Epic, mas possui trechos que serviriam como pequenas suítes do álbum anterior. É pouco mais de 30 minutos de um jazz já muito característico do saxofonista californiano e sua tropa do West Coast Get Down, formado por ele, o também celebrado baixista Thundercat, o pianista Cameron Graves, o baterista Ronald Bruner Jr. e o também baixista, Miles Mosley.

Precursores de uma nova forma de interação do jazz com outros ritmos, como o hip hop (tanto Kamasi, quanto Thundercat atuaram diretamente no sucesso To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar), o funk, o soul ou o pop, o grupo segue mostrando que é possível avançar e expandir nos horizontes musicais sem soar “pouco acessível” ao grande público.

A estrutura do EP conta com seis músicas interpostas quase como uma grande suíte. Todas, com exceção de “Truth” (que conta 13 minutos) são pequenos pedaços de ideias de Washington que, ao vivo, certamente serão expandidas e virarão jams de 10 minutos cada. Quem assistiu Kamasi e sua tropa no Brasil, no primeiro semestre deste ano, pôde perceber como seu set de poucas músicas se desenvolve em pouco mais de uma hora e meia de apresentação.

Em EP, Kamasi Washington faz busca constante pelo "diverso"

Vale notar que os títulos de cada faixa estão colocados como “virtudes” do ser humano, tal qual a humildade, conhecimento, integridade e a verdade, ou mesmo o desejo.

Em “Desire”, faixa que abre o EP, o saxofonista arranja uma vinhetinha muito parecida com as passagens de Epic. Nos shows ele usa bastante essa fórmula. A canção serve como preparação para a faixa seguinte. “Humility” já traz o que foi consagrado no trabalho anterior e a urgência no ambiente é uma das marcas impressas pelo músico. Cameron Graves, no piano, dialoga muito com o baixo de Miles Mosley. No mais é o jogo de sempre do jazz clássico em uma troca de passes com o trompete virtuoso de Dontae Winslow e a preparação para o que Kamasi sabe fazer de melhor: uivar com seu sax tenor.

“Knowledge” tem uma levada um pouco diferente do comum de Kamasi. Os vamps, ou pequenos riffs, estão sempre ali. As baterias de Ronald Bruner e Tony Austin se relacionam de um jeito muito parecido com o show. Os bumbos são fortes e o uso constante das "ghost notes" marcam o ritmo da seção. “Perspective” é onde aparece a inegável influência de Coltrane no som e a abertura indica algo grandioso, com Kamasi “falando” sozinho. Com um ritmo muito latino (e pautado pela percussão) é o tipo da música que no show duraria uns 15 minutos.

“Integrity” é, naturalmente, um samba. Até o uso dos sopros é muito característico do tipo de samba clássico brasileiro. “Truth”, que foi previamente lançado há meses e ganhou um clipe, é a música mais longa do pequeno álbum e contém toda a grandiosidade já posta no Epic. A orquestração, as vozes num crescendo... de repente tudo se acalma e Kamasi se faz presente, jogando principalmente com as baterias. O piano de Graves e o teclado de Brandon Coleman fazem às vezes consagradas por McCoy Tyner enquanto background de Coltrane. 

Como o trabalho é curto e todos sabemos que Kamasi pode muito mais, vale aguardar um trabalho maior nos próximos meses.

Confira abaixo o EP na íntegra.

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diegorfelix
Autodidata da vida, inspiro música, expiro política