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Por favor, parem com os reality shows envolvendo crianças!

Fábio Garcia
há 20 dias48.0k visualizações

Preciso confessar que eu tenho um costume meio bizarro: eu me divirto assistindo a programas de humor sem graça na televisão. Eu ainda faço pequenos jogos comigo mesmo, do tipo "quero ver se esse programa consegue arrancar alguma risada de mim" e fico lá me afundando em constrangimento e tristeza. Infelizmente, esse meu gosto por programas humorísticos ruins foi para o ralo no novo reality show competitivo do Multishow.

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Por favor, parem com os reality shows envolvendo crianças!

(Reprodução/Multishow)

Mesmo que não seja necessariamente um reality show, podemos falar que o "Prêmio Multishow de Humor" tem todas as características de um "MasterChef Brasil" da vida: um monte de amadores sendo julgados (e humilhados) por profissionais para o deleite do público. Em vez de Paola Carossela ou Erick Jacquin julgando pratos, temos um Sérgio Malando e Natália Klein analisando piadas de português. Ok, o programa até conseguiu revelar bons humoristas em suas edições (como é o caso de Paulo Vieira que hoje trabalha no "Programa do Porchat") mas o nível médio dos participantes é abaixo da diversão de um cálculo renal.

Seguindo a tradição da TV de criar versões com crianças de seus reality shows (vide "The Voice Kids" ou o "MasterChef Junior"), o Multishow criou uma versão infantil de seu "Prêmio Multishow de Humor", só que com o nome de "Humoristinhas" e apresentado por Eduardo Sterblitch. A proposta é a mesma da versão para gente grande: descobrir grandes humoristas mirins. O problema é que o resultado é muito, mas muito ruim.

Por favor, parem com os reality shows envolvendo crianças!

O reality funciona da seguinte forma: uma criança tem uma espécie de entrevista com o apresentador num camarim e depois vai apresentar um número de humor para os jurados famosos. Mas em vez de vermos as crianças usando suas habilidades para fazer o público rir, apenas acompanhamos uma criança visivelmente constrangida repetindo textos e piadas que um adulto lhe ensinou, mesmo que isso não faça sentido algum para ela.

No programa de estreia, uma menina se apresentou vestida de Chapeuzinho Vermelho e estava acompanhada de um fantoche de Lobo Mau, controlado habilmente por ela. Em uma das piadas, o lobo lhe perguntava o motivo da cor da roupa da menina, e ela respondeu "é porque eu sou comunista". A plateia riu muito, mas em casa eu só fiquei me perguntando se a menina ao menos fazia ideia do que significava o Comunismo. Aquela piada não fazia o menor sentido para ela!

Por favor, parem com os reality shows envolvendo crianças!

(Reprodução/Multishow)

Após a criança encher os pais de orgulho repetindo piadas que provavelmente aprendeu deles, chega a hora dos jurados analisarem a apresentação. E aí entra mais um problema dos realities infantis: a graça de esculhambar os candidatos não existe aqui, afinal quem seria o monstro de falar coisas horríveis para uma criança? Todos são muito amáveis nos comentários, como tem de ser, mas isso não torna o programa divertido ao público. Num "MasterChef Brasil" gostamos muito mais de quando um competidor troca o sal pelo açúcar que quando os jurados falam que o prato é digno de um restaurante cinco estrelas.

Para não falar que o "Humoristinhas" é de todo o mau, a parte da entrevista do Eduardo Sterblitch é surpreendente boa. Mesmo eu não gostando do humorista, ele é muito bom em comandar uma conversa sincera com as crianças, de uma forma que poucas vezes vemos na televisão. É possível que o programa tivesse mais graça se apostasse somente nessas conversas, que é onde vemos a sinceridade e a verdadeira graça de cada um daqueles pequenos.

Talvez seja a hora de repensar a ideia de colocar crianças numa competição televisiva. Mesmo com todo o cuidado que os programas alegam ter com as crianças, não é a mesma diversão para o público de quando vemos um adulto sendo julgado pelos profissionais.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

Fábio Garcia
há 22 dias71.3k visualizações

Em meio à ressaca do Rock in Rio e a expectativa pelo último capítulo de "Novo Mundo", a equipe do "Encontro com Fátima Bernardes" usou a famosa filosofia gimênica do 'enfia que cabe mais' para incluir aí no meio um debate sobre suicídio.

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Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

(Reprodução/Globo)

Sabe quando você faz uma festa de aniversário e precisa dedicar um pouquinho de tempo a cada um dos convidados que foram te prestigiar? Então, é um bem assim que funciona a divisão de pautas do "Encontro com Fátima Bernardes". Os profissionais que decidem o roteiro enfiam uma quantidade absurda de pautas (muitas vezes completamente opostas) e resta à pobre Fátima Bernardes ter de lidar com tudo aquilo com sua já conhecida falta de tato e sutileza.

O programa exibido no dia 25 de setembro foi um exemplo ótimo de como o "Encontro" sofre com excesso de assunto. Como era o dia da exibição do último capítulo de "Novo Mundo", a apresentadora levou ao palco dois atores da novela (Viviane Pasmanter e Roberto Cordovani) para discutir um pouco sobre a trama. A belíssima Viviane passou por um processo de "enfeiamento" para interpretar a personagem Germana, então alguém do "Encontro" teve a ideia de promover também um debate sobre a ditadura da beleza.

Como pauta nunca é demais, por que não incluir também um tópico sobre bullying nas redes sociais? Ah, e aí lembraram que em setembro rola a campanha de prevenção ao suicídio, então isso precisou entrar na pauta também. Para finalizar essa bagunça de temas, uma participação internacional do cantor CeeLo Green que também falou sobre o Rock in Rio.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

Ufa, quanta coisa.

Não há problema em um programa colocar diversas pautas no mesmo dia, mas seria bom isso acontecer somente quando há tempo hábil para se discutir devidamente sobre cada uma. Não é o que acontece no "Encontro", pois Fátima passa superficialmente em cada um dos tópicos, como se estivesse mentalmente riscando itens da lista de compras que já pegou na prateleira do supermercado. Seu programa é tão roteirizado que, se alguma discussão inesperada surge no meio da conversa, a apresentadora se mostra incapaz de mediar uma discussão.

Durante o papo sobre suicídio, o ator de "Novo Mundo" Roberto Cordovani surpreendeu ao falar que já havia trabalhado no CVV (Centro de Valorização da Vida) e que até atendia pessoalmente pessoas que cogitavam suicídio, mas que abandonou o cargo voluntário depois que uma pessoa se matou na sua frente.

Diante de uma revelação inesperada dessa, seria o trabalho da Fátima perguntar como foi aquilo, o que ele sentiu ou então pedir mais detalhes, afinal o assunto do dia era justamente suicídio! Mas não. A apresentadora apenas continuou lá e deixou que a frase de Roberto caísse em esquecimento, afinal precisava seguir o roteiro do programa e ainda faltava exibir uma matéria com um bombeiro e a atração musical.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

(Reprodução/Globo)

É bem legal você abrir um espaço no seu programa para falar sobre suicídio, mas melhor ainda seria se as pautas tivessem tempo o suficiente para serem discutidas, debatidas e esclarecidas. Do jeito que o "Encontro" funciona, parece que a Fátima não quer passar muito tempo discutindo um assunto com medo que o público de casa se canse e mude de canal.

Talvez se o programa abordasse menos assuntos por dia, talvez a apresentadora conseguisse exercer devidamente sua experiência jornalística se aprofundando nesses casos que surgem do nada. Ou então se assuma como um programa de trivialidades e não converse tão superficialmente sobre um tema como o suicídio.

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fabio.garcia
Escrevo sobre TV desde 2012. Amo programa bom, e ainda mais se for ruim. @fabiogaj