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SBT e Record gastaram uma grana para ‘descobrir’ que a Globo tem mais audiência

Fábio Garcia
há um mês32.7k visualizações

O que você faria se tivesse um dinheiro sobrando? Pagaria umas contas? Investiria numa reforma? Bem, o SBT e a Record pegaram uma graninha que tinham e apostaram as fichas num instituto de pesquisa de audiência para provar que o Ibope sempre favorecia a Globo.

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SBT e Record gastaram uma grana para ‘descobrir’ que a Globo tem mais audiência

(Montagem)

A Globo é a maior audiência do país, isso não é mistério para ninguém. Desde a implantação do chamado "Padrão Globo de Qualidade" há algumas décadas e de uma grade engessada que ensanduichava novelas com telejornais, a emissora dos Marinho conseguiu uma hegemonia difícil de bater. Mas a Globo não é campeã só por motivos de logística: ela investe muito dinheiro com bons profissionais e tem um know-how enorme sobre como fazer televisão no Brasil. O resultado é que a Globo consegue ser líder até se exibir uma tela preta dizendo que o sinal está fora do ar.

Isso, claro, incomoda as concorrentes que buscam desesperadamente a liderança (e mais contratos publicitários), como a Record. Lá em 2004, a Record usou o truque de dinheiro infinito do "The Sims" e investiu em novelas que fossem muito parecidas com as da Globo. Até inventaram um slogan chamado "A caminho da Liderança"! No fim das contas, o negócio morreu bem antes da tal liderança e atualmente a emissora disputa pau a pau o segundo lugar com o SBT.

Em algum ponto da história, a Record e o SBT começaram a questionar a liderança da Globo. Numa provável reunião entre representantes das duas emissoras, algum executivo deve ter dito "não é possível que a Globo sempre seja líder de audiência, ela deve estar de trelelê com o Ibope!". Para quem não sabe, o Ibope é o único instituto de medição que calcula a audiência no país.

SBT e Record gastaram uma grana para ‘descobrir’ que a Globo tem mais audiência

Alegando que a liderança da Globo era uma mutretagem com o instituto de audiência vigente, SBT e Record se uniram à RedeTV (que sempre embarca nessas aventuras loucas, vide a história da Simba) para fazer uma vaquinha e trazer o instituto GfK para o Brasil. Segundo elas, o instituto alemão poderia trazer a VERDADE por trás da audiência, e finalmente descobriríamos que o Ibope é supostamente comprado pela Rede Globo de Televisão. As três emissoras gastaram pelo menos 40 milhões de reais (um valor ainda menor que as malas de dinheiro de Geddel) para que o serviço concorrente do Ibope se instalasse no Brasil. Mas a coisa não funcionou tão bem assim.

O GfK teve todos os problemas do mundo para começar a funcionar. Lembro que eu já escrevia sobre televisão para sites quando o instituto deveria começar a operar, lá pelos idos de 2013, e toda semana rolava indiretinhas de algum diretor de programação do SBT ou da Record nas redes sociais, na mesma proporção de notícias sobre o adiamento do GfK. Sabem quando foi que as emissoras começaram a receber os relatórios de audiência do instituto alemão? Em 2016, anos depois do previsto.

SBT e Record gastaram uma grana para ‘descobrir’ que a Globo tem mais audiência

(Reprodução/Globo)

Mas antes tarde do que nunca, certo? Isso quer dizer que a Globo foi desmascarada e que os números do Ibope estão errados? Bem... em partes. SBT, Record e a RedeTV descobriram sim que os números de audiência da Globo estavam diferentes da medição do Ibope. O problema era: no GfK, a Globo às vezes chegava a ter 50% A MAIS que no Ibope (o jornalista Ricardo Feltrin apurou na época e fez uma matéria bem explicadinha).

E alguns meses após a divulgação desses números, o casamento do GfK com as emissoras acabou na justiça: segundo o site Notícias da TV, o instituto alemão demitiu uma centena de profissionais e deve encerrar a medição de audiência no Brasil. Alegando que o GfK não cumpriu a "qualidade prometida", Record, SBT e RedeTV romperam com o instituto e ainda estão na justiça pedindo o retorno dos milhões que investiram para descobrir a verdadeira audiência. Que coincidência que o rompimento veio logo depois de descobrirem que a Globo continua líder de audiência mesmo com outra medição, né?

O mais competitivo realmente seria que as emissoras do Brasil estivessem mais em pé de igualdade, estimulando programas cada vez melhores. Mas isso se consegue investindo na própria programação, e não contratando um instituto diferente para tentar provar uma suposta maracutaia da líder. Talvez se os milhões gastos para trazer o GfK para o Brasil tivessem ido para a parte criativa das emissoras, elas estariam com uma programação um pouco melhor para o público e conseguissem a audiência naturalmente.

Esse é o mais desconhecido programa de Marcelo Rezende na TV

Fábio Garcia
há um mês27.5k visualizações

Acabamos de perder Marcelo Rezende e a RecordTV ficou sem um de seus maiores expoentes do jornalismo. Mas muito antes de reinventar o "Cidade Alerta" ou de assustar as crianças dos anos 90 com o "Linha Direta", o apresentador fez parte de um programa que pouca gente lembra. Com vocês, o "Tribunal na TV".

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Esse é o mais desconhecido programa de Marcelo Rezende na TV

(Reprodução/Band)

Vamos primeiro relembrar um pouco de História (resumida) da Televisão Brasileira: Marcelo Rezende estreou na Globo fazendo jornalismo esportivo e depois foi para a área policial. Após muitos anos cobrindo casos famosos até para o "Jornal Nacional", estreou o programa "Linha Direta" no qual um crime da vida real era retratado de forma dramatúrgica e sem firulas, com violência e outros recursos visuais chocantes demais para as crianças dos anos 90 que ficavam acordadas até tarde. Rezende então fez dois anos de "Cidade Alerta" na Record e alguns programas na RedeTV, passou um tempinho na Band e aí voltou para a emissora do Bispo. Desde 2012 assumiu novamente o "Cidade Alerta" e mudou um pouco o programa, introduzindo humor à cobertura de crimes. O resultado foi um estouro de audiência.

Bastante lembrado por causa da narração apocalíptica que dava nos casos do "Linha Direta" e pelo circo que fazia com Percival no comando do "Cidade Alerta", pouca gente se lembra que Marcelo Rezende durante um tempo de sua carreira apresentou... um programa de tribunal (!!) lá na Band.

O "Tribunal na TV" era um mix do "Linha Direta" com "How to Get Away With Murder". Marcelo Rezende fazia uma abertura narrando um crime que aconteceu na vida real e aí assistíamos a uma reconstituição feita por atores. Até aqui é praticamente o "Linha Direta" com outro nome e orçamento infinitamente menor, mas aí entrava a parte do tribunal: Rezende comandava um verdadeiro júri com advogados, promotores e atores, como se assistíssemos ao julgamento daquele caso.

Como dá para perceber nas imagens que aparecem na abertura do "Tribunal na TV", toda a investigação do crime ganha um destaque nesse programa da Band. Qualquer passo de figurante numa escadaria do centro ou um revólver envolvido num saco plástico voltam na parte do julgamento para determinar o culpado do crime.

Ao final, Marcelo Rezende lia um texto dando a lição do dia (algo parecido com o que o He-Man faz sempre depois de derrotar o Esqueleto) e os créditos do "Tribunal na TV" avisavam que o programa era uma reconstituição do que aconteceu, que os nomes podem ter sido mudados para proteger os envolvidos etc.

A ideia do programa em si não era ruim, mas a execução era bem capenga. Tudo era muito exagerado, da trilha sonora aos textos que o Marcelo Rezende se via obrigado a ler para pagar suas contas no fim do mês. A parte de reconstituição com atores, então... era bem ruinzinha, talvez porque a Band nunca teve uma tradição sólida em teledramaturgia, mesmo tentando muitas vezes.

O "Tribunal na TV" estreou em maio de 2010 e não durou nem um ano, encerrando em fevereiro de 2011. Marcelo Rezende ficou apenas seis meses no projeto, largando o programa para ir fazer matérias jornalísticas lá na Record e depois assumir o "Cidade Alerta". No fim foi o melhor que podia acontecer, afinal um apresentador tão versátil não podia ficar preso nos roteiros engessados e nem nas reconstituições com produção mediana. Vai fazer falta.

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fabio.garcia
Escrevo sobre TV desde 2012. Amo programa bom, e ainda mais se for ruim. @fabiogaj