TV

A Força do Querer virou Tropa de Elite (e estamos amando isso!)

Fábio Garcia
Author
Fábio Garcia

Todo mundo lembra que o Brasil é líder na exportação de carne e de memes, mas poucos se recordam que nosso país também é campeão em vender para fora bons filmes de polícia contra bandidos ambientados em comunidades (talvez porque só a gente faça isso). Faltava só uma novela que conseguisse abordar esse tema de uma forma decente (ou seja, estamos excluindo as vezes que a Record tentou fazer isso, tá?), e A Força do Querer apareceu em nossa vida para nos alegrar com uma boa batalha de mocinhos contra bandidos.

A Força do Querer virou Tropa de Elite (e estamos amando isso!)

(TV Globo/ Montagem)

A ideia da novela A Força do Querer era mostrar a história de três mulheres fortes, mas a autora Gloria Perez havia conseguido completar apenas dois terços da tarefa: na primeira metade da trama basicamente vimos Ritinha (Isis Valverde) com seus amores e a policial Jeiza (Paolla Oliveira) se revelando mais versátil que uma impressora multifuncional, a terceira perna do tripé era Bibi (Juliana Paes) que não via sua história de envolvimento com o tráfico de drogas ser desenvolvido tanto quanto suas colegas de Projac.

Na verdade, essa demora acabou sendo meio proposital. O brasileiro é um povo que rejeita assuntos controversos nas novelas com muita facilidade (vide a rejeição pelo casal de lésbicas da terceira idade em Babilônia), então a autora de A Força do Querer pareceu ir com calma até apresentar direito Bibi e toda a situação ao redor dela. A autora, fã assumida de narconovelas (aquelas tramas latinas biográficas sobre grandes traficantes de drogas como La Reina Del Sur), quis fazer a personagem cair no gosto do público antes de colocar um revolver em sua mão e chamá-la de Bibi Perigosa.

A Força do Querer virou Tropa de Elite (e estamos amando isso!)

(Reprodução/ TV Globo)

Depois de pequenas ações (vamos fingir que Bibi incendiando um restaurante foi uma pequena ação, tá bom?), finalmente vimos o "nascimento" de Bibi Perigosa quando ela acertou uma latinha com um único tiro e foi muito elogiada pelos traficantes. E como toda Nina precisa de uma Carminha e todo bom bandido precisa de um mocinho, o papel de policial incorruptível que combate o tráfico de drogas e ainda dança carimbó caiu como uma luva nas mãos de Jeiza.

A policial lutadora de MMA invadiu o Morro do Beco procurando o estoque de fuzis dos bandidos em uma operação que foi resolvida basicamente pelo cachorro Aron, e isso foi o ponto de partida para o começo da guerra entre Jeiza e Bibi Perigosa. Para dar aquele toque de novela e aumentar ainda mais a rivalidade entre as duas, a autora Gloria Perez até já articula uma mudança de interesse amoroso para as personagens colocando o advogado Caio (Rodrigo Lombardi) dividido entre as duas.

A Força do Querer virou Tropa de Elite (e estamos amando isso!)

(Reprodução/ TV Globo)

O resultado de tudo isso é que A Força do Querer vem ganhando mais ação, mas sem perder o romance característico da novela que vem conquistando recordes e mais recordes de audiência. As cenas de invasão policial no Morro do Beco foram impecáveis no quesito direção, parecia realmente que estávamos vendo um filme como Tropa de Elite. A única diferença que em vez de Wagner Moura aparecer na nossa TV gritando desnecessariamente, a batalha era entre duas belíssimas mulheres e um cachorro que fareja fuzis.

Se um dos maiores problemas das novelas é que as histórias vão se esgotando quando chegam na metade, podemos garantir que A Força do Querer ainda tem muito chão pela frente com o fortalecimento de Bibi Perigosa. E por se tratar de uma personagem baseada em uma pessoa real, ficamos ainda mais curiosos em ver quais serão as diferenças mostradas na novela.