ENTRETENIMENTO

"Apocalipse" parece uma novela atuada por muitos Fiuks

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A Record gastou uma pequena fortuna com "Apocalipse", sua nova novela. Foram viagens internacionais, contratação de ex-globais, produção de apurados efeitos especiais para desastres de proporções épicas... faltou só gastar dinheiro com preparação de elenco, afinal TODAS as atuações estão nível o Fiuk em "A Força do Querer".

"Apocalipse" parece uma novela atuada por muitos Fiuks

(Foto: Record/Montagem)

Depois de muita publicidade e uma estreia que rendeu dois dígitos de média no Ibope, parecia que "Apocalipse" tinha tudo para emplacar, mas não. Com alguns capítulos da novela já exibidos, dá para perceber que a novidade da Record tem um grande problema em seu elenco. Por mais que o cast de atores contenha nomes impressionantes para uma novela da Record (como a maravilhosa Selma Egrei), as atuações dessa nova novela bíblica estão pavorosas. Assustadoras mesmo.

Não importa se os personagens estão conversando amenidades enquanto tomam um suco num resort na Indonésia ou então se a mocinha está transando com o personagem possuído pelo espírito do Satanás, todos eles falam no mesmo tom sem qualquer dose de emoção. Completando essa gigantesca torta de constrangimento, a novela é narrada pelo Diabo (Sérgio Marone) que aparentemente não sabe mexer a boca para pronunciar as palavras apropriadamente. Em todas as cenas parece que ele está murmurando algo indecifrável no fundo, sem qualquer ânimo.

Quando comecei a ver "Apocalipse", achei que o resultado das atuações ruins fosse por falta de capacidade dos atores mesmo, afinal nessa primeira fase da trama (ambientada nos anos 80) a emissora selecionou um elenco que é nível figuração em "Malhação" (ou então teatro escolar da quinta-série), mas aí foram aparecendo atores realmente bons que estavam dando umas escorregadas em atuação. Jussara Freire, por exemplo, está péssima interpretando uma mãe judia que fala com um sotaque bizarro que a deixa pronunciado as palavras igual a governanta da novela "Floribella". Detalhe: a governanta era alemã.

Isso deve ser falta de uma direção mais firme e de um preparador de elenco, que nada mais é que um profissional contratado pelas emissoras para auxiliar os atores a entrarem nos personagens. Já esperávamos que atores como Sérgio Marone (que quando foi vilão em "Os Dez Mandamentos" só sabia fazer cara de prisão de ventre) estivessem ruins, mas foi uma grande surpresa ver até o elenco bom da Record levando a média de atuação de "Apocalipse" para baixo.

Com essas interpretações péssimas, tons de voz equivocados e todo um despreparo para viver os diálogos nada sutis da autora Vivian de Oliveira, fica mesmo a impressão que todos os atores foram preparados pelo Cigano Igor ou então que todo mundo na verdade é o Fiuk. Será que ainda há tempo para gastar menos com efeitos especiais e mais com os atores, ou é pedir muito?