REALITY SHOW

As confusões e trapaças com as quais o SBT não está sabendo lidar no "Bake Off"

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Acompanho muitos reality shows culinários por puro prazer, e sempre tive em mente que o "Bake Off Brasil" do SBT era o mais tranquilo de todos. Talvez por não ter prêmio em dinheiro, o desafio de confeitaria do SBT era bem mais doce que outros programas do gênero, e nunca víamos grandes barracos ou então armações entre os participantes. Infelizmente, essa terceira temporada do "Bake Off Brasil" tem mostrado com muita frequência regras sendo ignoradas e confeiteiros tentando enganar a produção do SBT.

As confusões e trapaças com as quais o SBT não está sabendo lidar no "Bake Off"

(Reprodução/SBT)

Para quem nunca viu o programa, vale uma explicação sobre o formato dos episódios. O "Bake Off Brasil" é dividido em duas metades distintas, na primeira os jurados avaliam as habilidades criativas dos participantes, e na segunda é feito um desafio técnico em que todos os confeiteiros precisam preparar exatamente a mesma sobremesa, seguindo fielmente um modelo. Nessa segunda metade, pode parecer óbvio que os participantes não podem se ajudar e nem ao menos pegar itens emprestados, mas não é isso que vem acontecendo.

Nas últimas três semanas, a participante Gigi (uma aeromoça com grande estoque de trocadilhos sobre aviação) vem tentando arranjar formas de burlar as regras das provas técnicas. Sabe como é, pegando uma coisinha emprestada aqui, uma massa sobrando ali... A produção, que não é boba, vem constantemente alertando a participante sobre o que ela tem feito:

Mas o ápice da trambicagem aconteceu no programa do dia 18, quando Gigi tentou fazer um tráfico de éclairs (sobremesa francesa) com o participante José. Para não ser flagrada pela produção, eles começaram a falar em código e arquitetavam a ideia na porta do congelador, sabendo que a produção não tem câmeras dentro do eletrodoméstico. Entretanto, a equipe do "Bake Off Brasil" logo deu um pito e José ficou com peso na consciência pelo resto do dia. A participante Gigi aparentemente não foi punida pelo comportamento recorrente.

 Mas esse não foi o único caso de omissão da produção em disputas entre os competidores. Nessa temporada do "Bake Off Brasil", logo no comecinho, a participante Marina (também conhecida como a ex-funkeira Mulher Perereca) tentou fazer um chifre de unicórnio usando a técnica do isomalte. Alguns participantes se incomodaram com isso, e começaram a discutir que aquilo não era permitido no programa e que se tratava de uma trapaça, então Marina acabou desistindo de usar sua técnica. Só depois de terminada a prova o programa se manifestou, através dos jurados, avisando que era sim permitido o uso daquele recurso. Bem legal falar para todo mundo sobre a regra só depois que o negócio acabou, né? Só que não.

Isso sem falar nas confusões que poderiam ter sido resolvidas através de recursos da produção, mas não foram. Há alguns episódios, a participante Karyne se atrapalhou e pegou a mousse que o competidor Richarles havia deixado na geladeira em vez de usar a dela. Um climão homérico surgiu no programa, todo mundo querendo saber o que havia acontecido com a mousse. Ao final, decidiram tirar Richarles do julgamento pois haviam pego sua mousse, mas não seria mais fácil a produção (que filma TUDO) informar quem havia cometido o equívoco?

Como telespectador do reality show, fico bem incomodado com a ausência de uma produção mais dura com os participantes. Qualquer outro reality show já teria punido quem descumpre as regras repetidas vezes e também teria sido mais claro quando surge uma polêmica. Do jeito que está, fica parecendo que o SBT quer apenas o bom e velho barraco no programa, sem ligar muito para as regras. Uma pena, afinal o "Bake Off Brasil" já foi um dos mais interessantes reality shows culinários da TV aberta.