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Esse é o mais desconhecido programa de Marcelo Rezende na TV

Fábio Garcia
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Fábio Garcia

Acabamos de perder Marcelo Rezende e a RecordTV ficou sem um de seus maiores expoentes do jornalismo. Mas muito antes de reinventar o "Cidade Alerta" ou de assustar as crianças dos anos 90 com o "Linha Direta", o apresentador fez parte de um programa que pouca gente lembra. Com vocês, o "Tribunal na TV".

Esse é o mais desconhecido programa de Marcelo Rezende na TV

(Reprodução/Band)

Vamos primeiro relembrar um pouco de História (resumida) da Televisão Brasileira: Marcelo Rezende estreou na Globo fazendo jornalismo esportivo e depois foi para a área policial. Após muitos anos cobrindo casos famosos até para o "Jornal Nacional", estreou o programa "Linha Direta" no qual um crime da vida real era retratado de forma dramatúrgica e sem firulas, com violência e outros recursos visuais chocantes demais para as crianças dos anos 90 que ficavam acordadas até tarde. Rezende então fez dois anos de "Cidade Alerta" na Record e alguns programas na RedeTV, passou um tempinho na Band e aí voltou para a emissora do Bispo. Desde 2012 assumiu novamente o "Cidade Alerta" e mudou um pouco o programa, introduzindo humor à cobertura de crimes. O resultado foi um estouro de audiência.

Bastante lembrado por causa da narração apocalíptica que dava nos casos do "Linha Direta" e pelo circo que fazia com Percival no comando do "Cidade Alerta", pouca gente se lembra que Marcelo Rezende durante um tempo de sua carreira apresentou... um programa de tribunal (!!) lá na Band.

O "Tribunal na TV" era um mix do "Linha Direta" com "How to Get Away With Murder". Marcelo Rezende fazia uma abertura narrando um crime que aconteceu na vida real e aí assistíamos a uma reconstituição feita por atores. Até aqui é praticamente o "Linha Direta" com outro nome e orçamento infinitamente menor, mas aí entrava a parte do tribunal: Rezende comandava um verdadeiro júri com advogados, promotores e atores, como se assistíssemos ao julgamento daquele caso.

Como dá para perceber nas imagens que aparecem na abertura do "Tribunal na TV", toda a investigação do crime ganha um destaque nesse programa da Band. Qualquer passo de figurante numa escadaria do centro ou um revólver envolvido num saco plástico voltam na parte do julgamento para determinar o culpado do crime.

Ao final, Marcelo Rezende lia um texto dando a lição do dia (algo parecido com o que o He-Man faz sempre depois de derrotar o Esqueleto) e os créditos do "Tribunal na TV" avisavam que o programa era uma reconstituição do que aconteceu, que os nomes podem ter sido mudados para proteger os envolvidos etc.

A ideia do programa em si não era ruim, mas a execução era bem capenga. Tudo era muito exagerado, da trilha sonora aos textos que o Marcelo Rezende se via obrigado a ler para pagar suas contas no fim do mês. A parte de reconstituição com atores, então... era bem ruinzinha, talvez porque a Band nunca teve uma tradição sólida em teledramaturgia, mesmo tentando muitas vezes.

O "Tribunal na TV" estreou em maio de 2010 e não durou nem um ano, encerrando em fevereiro de 2011. Marcelo Rezende ficou apenas seis meses no projeto, largando o programa para ir fazer matérias jornalísticas lá na Record e depois assumir o "Cidade Alerta". No fim foi o melhor que podia acontecer, afinal um apresentador tão versátil não podia ficar preso nos roteiros engessados e nem nas reconstituições com produção mediana. Vai fazer falta.