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Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

Fábio Garcia
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Fábio Garcia

Em meio à ressaca do Rock in Rio e a expectativa pelo último capítulo de "Novo Mundo", a equipe do "Encontro com Fátima Bernardes" usou a famosa filosofia gimênica do 'enfia que cabe mais' para incluir aí no meio um debate sobre suicídio.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

(Reprodução/Globo)

Sabe quando você faz uma festa de aniversário e precisa dedicar um pouquinho de tempo a cada um dos convidados que foram te prestigiar? Então, é um bem assim que funciona a divisão de pautas do "Encontro com Fátima Bernardes". Os profissionais que decidem o roteiro enfiam uma quantidade absurda de pautas (muitas vezes completamente opostas) e resta à pobre Fátima Bernardes ter de lidar com tudo aquilo com sua já conhecida falta de tato e sutileza.

O programa exibido no dia 25 de setembro foi um exemplo ótimo de como o "Encontro" sofre com excesso de assunto. Como era o dia da exibição do último capítulo de "Novo Mundo", a apresentadora levou ao palco dois atores da novela (Viviane Pasmanter e Roberto Cordovani) para discutir um pouco sobre a trama. A belíssima Viviane passou por um processo de "enfeiamento" para interpretar a personagem Germana, então alguém do "Encontro" teve a ideia de promover também um debate sobre a ditadura da beleza.

Como pauta nunca é demais, por que não incluir também um tópico sobre bullying nas redes sociais? Ah, e aí lembraram que em setembro rola a campanha de prevenção ao suicídio, então isso precisou entrar na pauta também. Para finalizar essa bagunça de temas, uma participação internacional do cantor CeeLo Green que também falou sobre o Rock in Rio.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

Ufa, quanta coisa.

Não há problema em um programa colocar diversas pautas no mesmo dia, mas seria bom isso acontecer somente quando há tempo hábil para se discutir devidamente sobre cada uma. Não é o que acontece no "Encontro", pois Fátima passa superficialmente em cada um dos tópicos, como se estivesse mentalmente riscando itens da lista de compras que já pegou na prateleira do supermercado. Seu programa é tão roteirizado que, se alguma discussão inesperada surge no meio da conversa, a apresentadora se mostra incapaz de mediar uma discussão.

Durante o papo sobre suicídio, o ator de "Novo Mundo" Roberto Cordovani surpreendeu ao falar que já havia trabalhado no CVV (Centro de Valorização da Vida) e que até atendia pessoalmente pessoas que cogitavam suicídio, mas que abandonou o cargo voluntário depois que uma pessoa se matou na sua frente.

Diante de uma revelação inesperada dessa, seria o trabalho da Fátima perguntar como foi aquilo, o que ele sentiu ou então pedir mais detalhes, afinal o assunto do dia era justamente suicídio! Mas não. A apresentadora apenas continuou lá e deixou que a frase de Roberto caísse em esquecimento, afinal precisava seguir o roteiro do programa e ainda faltava exibir uma matéria com um bombeiro e a atração musical.

Fátima Bernardes tentando falar de suicídio no "Encontro" foi um desastre

(Reprodução/Globo)

É bem legal você abrir um espaço no seu programa para falar sobre suicídio, mas melhor ainda seria se as pautas tivessem tempo o suficiente para serem discutidas, debatidas e esclarecidas. Do jeito que o "Encontro" funciona, parece que a Fátima não quer passar muito tempo discutindo um assunto com medo que o público de casa se canse e mude de canal.

Talvez se o programa abordasse menos assuntos por dia, talvez a apresentadora conseguisse exercer devidamente sua experiência jornalística se aprofundando nesses casos que surgem do nada. Ou então se assuma como um programa de trivialidades e não converse tão superficialmente sobre um tema como o suicídio.