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Nova reportagem do Fantástico sobre roubo de celular muda tom da semana anterior

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Há uma semana, o "Fantástico" gerou um debate na internet sobre a exposição após uma reportagem sobre furto de celular explorar a imagem das pessoas que caíram na armadilha da produção. Na continuação da reportagem, a emissora adotou um tom bem diferente.

Nova reportagem do Fantástico sobre roubo de celular muda tom da semana anterior

Apenas para situar a história, semana passada o "FantásticoFantástico" colocou um repórter andando distraído pelo centro de Porto Alegre com um celular à vista, já querendo que ele fosse furtado. O aparelho foi levado e, através de um app espião, eles foram atrás de quem furtou.

A reportagem então mostrou para o público a pessoa que havia levado o celular, expondo para todo o Brasil os envolvidos e fazendo com que eles fossem afastados de seu emprego. Como se tratava de uma situação construída, teoricamente não foi um crime e chega a ser irresponsabilidade expor a pessoa com aparente desvio de caráter sem um borrão em sua cara antes de um julgamento das autoridades competentes..

Ao exibir uma segunda parte, a Globo adotou uma postura bem diferente. Dessa vez o foco da matéria foi mostrar quem comprava aparelhos roubados e ainda mostrar lojas que trocam a numeração do IMEI dos celulares (algo como o chassi dos aparelhos).

Nova reportagem do Fantástico sobre roubo de celular muda tom da semana anterior

Ao mostrar quem comprou um aparelho roubado por um preço muito abaixo do mercado e sem pedir nota fiscal, a emissora poupou a pessoa e a exibiu como vítima, embaçando seu rosto. O mesmo cuidado foi visto quando mostraram os estabelecimentos no centro do Rio de Janeiro que burlam o sistema dos celulares e trocam o número do IMEI. Curiosamente, nos dois casos se trata de crime real e a emissora mostrou corretamente os envolvidos, omitindo seus rostos.

O fim da reportagem, no entanto, pecou na forma como abordou o problema dos roubos de celular. Em momento algum foi atribuído à falta de policiamento a culpa pelo aumento dos assaltos, e a reportagem acabou jogando a responsabilidade nas vítimas: segundo a matéria, se você tem um celular e quer evitar que seja roubado, o ideal é não usá-lo na rua. Simples assim.