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Ai, que saudade vamos sentir de "Novo Mundo"

Fábio Garcia
há um mês7.5k visualizações

Estamos acostumados a ver novelas que vêm e vão, faz parte do ciclo da vida e da grade de programação da Globo. Mas algumas vezes a gente se encanta muito por alguma novela e a dorzinha parece um pouco maior.

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Ai, que saudade vamos sentir de "Novo Mundo"

(Reprodução/Globo)

"Novo Mundo" estreou na Globo com uma proposta bem diferente - o que aconteceria se tivesse uma novela contando a história de Dom Pedro I e do Brasil ficando independente? A ideia não chega a ser a coisa mais inédita do mundo, até porque algumas décadas atrás a minissérie "O Quinto dos Infernos" sobre o mesmo tema fez bastante sucesso (e instituiu Marcos Palmeira como o Imperador Parrudo no imaginário do país), mas uma novela é bem diferente de uma produção mais curta e exibida num horário que se permite maiores experimentações. Mesmo com todos esses contras, a dupla Thereza Falcão e Alessandro Marson apostaram tudo na trama do nascimento do Brasil como nação independente e não se arrependeram.

Em vez de focar nas figuras históricas, como aconteceu na minissérie, os autores colocaram como protagonistas pessoas fictícias que poderiam ter existido na época, mas que não tinham importância o bastante para ganharem registros nos livros de história. Assim nasceram a professora Anna Milman (Isabelle Drummond) e o jovem ator Joaquim (Chay Suede), a dupla de portugueses que se aventuraram no Brasil ao lado da imperatriz Leopoldina (Letícia Colin) que estava vindo ao país conhecer seu crush arranjado Dom Pedro (Caio Castro).

Ai, que saudade vamos sentir de "Novo Mundo"

(Reprodução/Globo)

A novela das seis nos cativou pela simplicidade, pelo humor e, acima de tudo, pelo carisma dos personagens. Ok, o Joaquim era um pouco forçado e foi praticamente o MacGuyver do Brasil Império, sempre envolvido em todas as tretas possíveis e resolvendo tudo na base da luta e de sua sagacidade (até na Independência do Brasil ele teve um papel importante que não havia sido comentado nos livros de história), mas isso não muda que o personagem em si era forte e sabia comandar a trama.

Muitos atores estiveram ótimos durante "Novo Mundo", com destaque para Ingrid Guimarães e sua tresloucada Elvira Matamouros, Letícia Colin como a imperatriz Leopoldina, Caio Castro mostrando que não é apenas mais um rostinho bonito num Dom Pedro muito seguro, Gabriel Braga Nunes com seu vilão psicopata Thomas e muitos outros. 

Ai, que saudade vamos sentir de "Novo Mundo"

(Reprodução/Globo)

Na minha opinião, o maior mérito de "Novo Mundo" foi a forma como os autores transformaram em novela acessível um fato histórico do nosso país. A dramaturgia mundial está acostumada a criar romances folhetinescos em todos os períodos da História Mundial, da Revolução Francesa à época da descoberta da roda, mas no Brasil não temos mais o hábito de inserir dramaturgia em novelas populares desde o fim das tradicionais minisséries históricas que a Globo costumava apresentar em janeiro. Exemplos como "A Casa das Sete Mulheres" ou "JK" já mostravam como as páginas dos livros de História eram uma fonte inesgotável de personagens incríveis, perfeitos para uma teledramaturgia de qualidade.

Muito mais que uma simples história de amor ou apenas uma releitura do nascimento do Brasil, "Novo Mundo" conseguiu expor como funcionava as várias castas da sociedade de uma forma que os livros de História costumam deixar de lado. Discutiu racismo, escravidão e até inseriu discussões recentes sobre "conservadores x liberais" de uma forma não-forçada (que é o que ocorre em muitas novelas de época que se arriscam a debater temas atuais), além de situar um episódio conhecido como a Independência do Brasil através do ponto de vista dos observadores.

Que "Novo Mundo" e sua recepção positiva por parte do público seja usada para mostrar que estamos sim interessados em histórias sobre o passado do nosso país, mesmo que através de personagens que não estejam nos livros.

Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

Fábio Garcia
há um mês135.7k visualizações

Dizem que para a pessoa escrever novelas ela precisa estar atenta ao que está acontecendo no Brasil e no mundo. Gloria Perez, a autora de "A Força do Querer", levou isso a sério demais e foi quase mediúnica em sua história.

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Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

(Reprodução/ Globo)

Tudo começou quando a Justiça Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal deu uma liminar perigosa que autoriza tratamentos de "reversão sexual", ou "cura gay" como vem sendo tratado. A decisão rendeu protestos, debates e muita piadinha nas redes sociais sobre não ir trabalhar porque estava homossexual. Mas ninguém esperava que exatamente esse assunto entraria naquele mesmo momento na novela das nove "A Força do Querer".

Joyce (Maria Fernanda Cândido) não aceita muito bem a transexualidade de seu filho Ivan (Carol Duarte) e vem tentando arranjar meios de "resolver" isso. No capítulo exibido em 19 de setembro, ela apareceu com uma profissional religiosa que iria fazer uma "reza" no personagem. Ivan ficou revoltadíssimo com a situação, e desabafou com sua prima Simone (Juliana Paiva) sobre como aquilo tudo era um absurdo.

Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

(Reprodução/ Globo)

Quem resolveu o problema foi a sempre diplomática sereia Ritinha (Isis Valverde), alegando que Ivan deveria aceitar a reza apenas porque "mal não iria fazer" e iria acabar com climão momentâneo da situação. E ainda alegou que a reza era ótima para espantar "mau olhado". Então tá, Ivan topou apenas para não desagradar a mãe, mas ciente que não ia mudar em nada.

Parece que a novela havia sido gravada no dia, mas não: a cena da tentativa de "cura gay" proposta por Joyce já estava prevista há semanas no site oficial. Foi apenas a mais pura coincidência (ou visão de futuro) da autora Gloria Perez. O pessoal nas redes sociais, entretanto, ainda acha que a criadora da história é tipo a Raven e teve uma visão do futuro:

A autora aproveitou a fama de mãe Dinah e respondeu comentários com emojis sorridentes e chamando a reza no Ivan de "cura gay":

Gloria Perez, arranja aí os números da loteria pra mim. Porque acertar o assunto "cura gay" no dia da polêmica foi digno de um Nostradamus.

Piadas à parte, a cena acabou sendo importantíssima para passar a mensagem sobre respeito às orientações sexuais de cada um, e que isso não se trata de doença. Quem sabe termos esse assunto debatido no programa de maior audiência do país, e com uma personagem que foi abraçada por todo o Brasil, a coisa não muda um pouquinho que seja?

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fabio.garcia
Escrevo sobre TV desde 2012. Amo programa bom, e ainda mais se for ruim. @fabiogaj