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Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

Fábio Garcia
há um mês135.7k visualizações

Dizem que para a pessoa escrever novelas ela precisa estar atenta ao que está acontecendo no Brasil e no mundo. Gloria Perez, a autora de "A Força do Querer", levou isso a sério demais e foi quase mediúnica em sua história.

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Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

(Reprodução/ Globo)

Tudo começou quando a Justiça Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal deu uma liminar perigosa que autoriza tratamentos de "reversão sexual", ou "cura gay" como vem sendo tratado. A decisão rendeu protestos, debates e muita piadinha nas redes sociais sobre não ir trabalhar porque estava homossexual. Mas ninguém esperava que exatamente esse assunto entraria naquele mesmo momento na novela das nove "A Força do Querer".

Joyce (Maria Fernanda Cândido) não aceita muito bem a transexualidade de seu filho Ivan (Carol Duarte) e vem tentando arranjar meios de "resolver" isso. No capítulo exibido em 19 de setembro, ela apareceu com uma profissional religiosa que iria fazer uma "reza" no personagem. Ivan ficou revoltadíssimo com a situação, e desabafou com sua prima Simone (Juliana Paiva) sobre como aquilo tudo era um absurdo.

Autora de "A Força do Querer" previu o futuro e assustou a internet

(Reprodução/ Globo)

Quem resolveu o problema foi a sempre diplomática sereia Ritinha (Isis Valverde), alegando que Ivan deveria aceitar a reza apenas porque "mal não iria fazer" e iria acabar com climão momentâneo da situação. E ainda alegou que a reza era ótima para espantar "mau olhado". Então tá, Ivan topou apenas para não desagradar a mãe, mas ciente que não ia mudar em nada.

Parece que a novela havia sido gravada no dia, mas não: a cena da tentativa de "cura gay" proposta por Joyce já estava prevista há semanas no site oficial. Foi apenas a mais pura coincidência (ou visão de futuro) da autora Gloria Perez. O pessoal nas redes sociais, entretanto, ainda acha que a criadora da história é tipo a Raven e teve uma visão do futuro:

A autora aproveitou a fama de mãe Dinah e respondeu comentários com emojis sorridentes e chamando a reza no Ivan de "cura gay":

Gloria Perez, arranja aí os números da loteria pra mim. Porque acertar o assunto "cura gay" no dia da polêmica foi digno de um Nostradamus.

Piadas à parte, a cena acabou sendo importantíssima para passar a mensagem sobre respeito às orientações sexuais de cada um, e que isso não se trata de doença. Quem sabe termos esse assunto debatido no programa de maior audiência do país, e com uma personagem que foi abraçada por todo o Brasil, a coisa não muda um pouquinho que seja?

O último papel da Rogéria em novelas não fez justiça ao seu talento

Fábio Garcia
há 2 meses35.6k visualizações

A morte não costuma ser muito justa com a pessoa. Talentosíssima atriz, Rogéria partiu para ir fazer alegria das pessoas lá em cima e deixou para nós um currículo vasto de participações em muitas novelas. Infelizmente, seu último papel em folhetins não fez jus a sua capacidade dramatúrgica. Sim, vamos falar de sua participação em "Babilônia".

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O último papel da Rogéria em novelas não fez justiça ao seu talento

(Reprodução/ Globo)

"Babilônia" seguramente é o que podemos chamar de maior fracasso na faixa das nove de TODOS OS TEMPOS (com caps lock mesmo). Alguém pode até comentar que o posto deveria ser ocupado pela novela na qual Globo precisou inventar um terremoto para matar 99% dos personagens, mas pelo menos essa passou a dar certo depois das mudanças. "Babilônia" começou como uma grande promessa, mas chocou o público já no primeiro capítulo com cenas de violência e sexo feitas apenas para causar. Para piorar a situação, o público rejeitou o beijo entre as personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, colocado sem qualquer preparação de terreno para a parcela mais conservadora da população. O que veio depois disso foi uma sucessão de equívocos.

Lá pelo meio de "Babilônia", os autores (Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga) viram que não tinha mais o que fazer e decidiram tocar a novela de qualquer jeito até o final, dando destaque para núcleos ainda mais desinteressantes que o dos protagonistas. Foi aí que entrou Rogéria, interpretando o pai do maléfico traficante Osvaldo (Werner Schünemann). Sim, pai.

O último papel da Rogéria em novelas não fez justiça ao seu talento

(Reprodução/Globo)

Rogéria entrou em "Babilônia" para fazer aconselhamento de personagens do triângulo amoroso cômico que não fazia rir. Ela basicamente estava lá para chocar a sociedade conservadora do prédio em que todos viviam (afinal, ela era para ser pai de um traficante mas voltou como Úrsula) e aconselhar a neta Gabi (Kizi Vaz). Embora fosse interessante a ideia de colocar Rogéria em meio aos personagens preconceituosos, muitas das mensagens que ela poderia passar não adiantavam porque o público já havia abandonado a novela.

Como era de se esperar, a novela já estava morta e mesmo a participação de Rogéria na metade final da trama não conseguiu ajudar "Babilônia" a sair do atoleiro de marasmo. Mais triste ainda foi perceber que a última participação em novelas tenha sido justo em uma personagem tão fraquinha e aquém de suas capacidades.

O último papel da Rogéria em novelas não fez justiça ao seu talento

(Reprodução/Globo)

Felizmente, temos memórias ótimas de Rogéria em outras novelas. Ela brilhou como Ninete em "Tieta" (inclusive sua participação na novela está sendo reprisada pelo Viva), a divertida Carolina de "Paraíso Tropical" e teve sua chance de usar roupa de época como Alzira de "Lado a Lado".

Mas para entender o verdadeiro brilhantismo de Rogéria, além de sua importância para o Brasil, a melhor forma é através do documentário "Divinas Divas" (2016).  Nele acompanhamos um reencontro do primeiro grupo de artistas travestis do Brasil que fazia sucesso durante o período da ditadura, além da preparação para um novo espetáculo. Em meio aos ensaios, viajamos nas memórias de cada uma daquelas artistas e descobrimos como elas lidavam com o preconceito e a moral da população. É de emocionar, juro.

O último papel da Rogéria em novelas não fez justiça ao seu talento
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fabio.garcia
Escrevo sobre TV desde 2012. Amo programa bom, e ainda mais se for ruim. @fabiogaj