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"Popstar" e "A Casa", os realities com os quais ninguém se importou muito

Fábio Garcia
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Fábio Garcia

Desde a estreia de "No Limite", descobriu-se que o Brasil AMA reality shows. Só que isso não quer dizer que a gente vai aplaudir qualquer coisa que aparecer na televisão, não é mesmo?

"Popstar" e "A Casa", os realities com os quais ninguém se importou muito

(Reprodução/RecordTV, Globo)

Na mesma semana chegaram ao fim os programas "A Casa" da RecordTV e o "Popstar" da Globo. Aos dois cabe a etiqueta de reality show, embora o primeiro seja de confinamento e o segundo de competiçãomas há mais algo em comum entre os dois programas: nenhum deles chamou a atenção do público. Querem motivos? Temos vários!

"A Casa" conta com uma premissa até genial, pois é um "Big Brother Brasil" misturado com carro de palhaço de circo. Em uma casa que comporta confortavelmente apenas quatro pessoas, a produção do programa enfiou nada menos que CEM participantes se digladiando pelos mais básicos itens de saúde e alimentação. Para quem considera o BBB um estudo antropológico, este reality show da RecordTV é praticamente uma tese social em que vemos surgimento de lideranças numa comunidade e o lado mais animalesco dos seres humanos.

Todo essa ideia na teoria não se refletiu muito em audiência na prática. Tudo bem que a RecordTV estava fora das maiores operadoras de TV paga em São Paulo (praça na qual é medida a audiência para o mercado publicitário), afetando os índices do Ibope, mas até nas redes sociais a repercussão do programa foi meio aquém do esperado. Pouca gente estava disposta a ver alguém ser eleito o guardião do rolo de papel higiênico, sendo sua função controlar e entregar um pequeno quadradinho para cada um que fosse fazer o número dois na casa.

"Popstar" e "A Casa", os realities com os quais ninguém se importou muito

(Reprodução/Record)

Com muito mais orçamento (nem precisava falar isso, afinal é a Globo!), o "Popstar" foi uma competição musical nos moldes do finado "Superstar". A ideia da vez era trocar as bandas completamente desconhecidas por uma disputa musical com grupos musicais de famosos. Mas esse mix de show de calouros do Raul Gil com karaokê de festa da firma não conseguiu levantar o ânimo do público e nem causar a famosa repercussão nas redes sociais.

Certo, aqui mesmo eu até citei um pequeno episódio envolvendo um suposto climão entre a participante Mariana Rios ao ser julgada pelo seu ex Di Ferrero, mas isso acaba sendo mais uma prova da falta de relevância do reality show musical: todo mundo lembra apenas dos barracos e ninguém nem sabe quem estava competindo. É capaz até de você leitor não ter sido informado que o programa acabou, ou mesmo que André Frateschi foi o campeão.

"Popstar" e "A Casa", os realities com os quais ninguém se importou muito

(Reprodução/ Globo)

Após anos de reality shows, o brasileiro se tornou uma espécie de pHD no assunto. É um pouco parecido com o que sentimos com as novelas: acompanhamos tantas que não é qualquer coisa que vai nos agradar. Estamos exigentes e buscamos um reality show com mistura precisa de humilhação pública e diversão sadia.

Melhor as emissoras capricharem em seus próximos realities previstos, pois esperamos muito da nova edição de "A Fazenda" e do "The Voice Brasil".