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A incrível devoção de um torcedor ao time de coração: 1.137 jogos seguidos

Fábio Hecico
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Fábio Hecico

A paixão pelo futebol é algo que não tem explicação. Um sentimento único e protagonista das mais diversas histórias. Para quem acha que já viu de tudo no quesito “amor por um clube”, é porque não conhece Malcolm Norman, um britânico de 59 anos, alucinado pelo Bristol Rovers, da Quarta Divisão inglesa, que não faltou a um jogo em casa nos últimos 50 anos.

A incrível devoção de um torcedor ao time de coração: 1.137 jogos seguidos

O simpático carteiro aposentado marcou cartão nos últimos 1.137 jogos da equipe em casa - além de outras centenas como visitante. Não faltou a nenhum. Faça chuva, frio, calor, geada, vendaval, terremoto, ele estará lá sentado na cadeira B89 do acanhado e aconchegante Memorial Stadium para 12.916 torcedores.

A incrível devoção de um torcedor ao time de coração: 1.137 jogos seguidos

Norman já perdeu diversas festas de aniversário, principalmente as suas, e ignorou os casamentos de todos os familiares pelo amor ao Bristol Rovers. Como a equipe sempre joga aos sábados em casa, não tem o que o faça deixar de ir ao estádio. Nem ouse ameaçar tirá-lo, vai ganhar um inimigo. Ele garante, contudo, que só tem amigos, sua maioria de arquibancadas.

A paixão pelo Bristol veio em 1964 quando, aos 8 anos, foi pela primeira vez a um jogo com o pai. Rotina que se repetiu durante mais de quatro décadas e só foi quebrada com a morte de seu ídolo, há sete anos. “Ficávamos horas sentados lado a lado, nos divertindo. Até hoje sinto sua presença.”

A incrível devoção de um torcedor ao time de coração: 1.137 jogos seguidos

Todo início de temporada a primeira tarefa é a mais importante. Ele se dirige à sede do clube e compra, por 390 libras, seu carnê para todos os jogos como mandante. Garante, assim, “a maior alegria de sua vida.” “Todo mundo tem um interesse na vida, para mim é o futebol."

Malcolm sabe o número certinho de jogos em cada casa que o Bristol Rovers teve que contou com sua presença. E relata: 451 em Eastville Stadium, 452 no Memorial Stadium, outros 230 no Twerton Park e 4 na Ashton Gate. Desde que o pai o incentivou-o a ver o time, ele “faltou” apenas uma vez, em 1966, quando teve de passar por cirurgia de apendicite e não pôde sair do hospital. Dali em diante...

O clube até confeccionou um placa de agradecimento por tanto apoio. E não foi fácil. Foram diversas acessos e proporção semelhante de derrotas e quedas. Malcolm sempre se fez presente, sempre apoiando, numa lição para qualquer torcedor que se diz “apaixonado” pelo futebol.

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