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Falta de amor à camisa acaba com os ídolos no País do futebol

Fábio Hecico
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Fábio Hecico
Falta de amor à camisa acaba com os ídolos no País do futebol

Rogério Ceni se despediu com bela e merecida festa no início do mês. Aos 42 anos, o grande nome do São Paulo nos últimos 25 anos fechou a vencedora carreira debaixo das traves com muitos títulos, histórias e 131 gols anotados. A saída do camisa 01 de campo deixa os clubes brasileiros carentes de ídolos. Não há mais aquele jogador que se identifique com uma camisa e seja idolatrado por seu torcedor.

Se antes era habitual ver um amante da bola falar de Santos de Pelé, ou mais recentemente de Neymar, Flamengo de Zico, Internacional de Falcão, Palmeiras de Ademir da Guia e nos últimos anos de Marcos, Corinthians de Sócrates, Botafogo de Garrincha, hoje fica difícil até de escolher quem é o melhor com a camisa de determinada equipe.

A molecada não consegue espaço entre os titulares e logo busca espaço em clubes menores e, por fim, acaba no ostracismo. Surge cheia de esperança, com rótulo de joia e acaba não sendo lapidada como merece. Some sem mostrar o talento e acaba não deixando saudade.

Os famosos “experientes” ou “reforços” de começo de temporada, não emplacam mais que um ano e já optam pelos milhões do futebol europeu ou atualmente da Ásia. Jadson poderia tentar eternizar seu nome na história corintiana e optou pela fortuna do futebol chinês. Vagner Love e Elias são outros corintianos que podem fazer o mesmo caminho. Malcom é um jovem promissor que ainda não emplacou.

No Santos, Gabriel pode se tornar o novo Neymar. Tem marcas parecidas com o atual craque do Barcelona, mas sua cabeça está nos euros e a saída e praticamente certa. Lucas Lima então pode herdar o rótulo de melhor do time. Recusou a Ásia, porém se diz aberto a propostas.

No Palmeiras, Gabriel Jesus nem bem despertou e o papo é sempre de “concretizar o sonho europeu.” Apontado como revelação em 2015, não deve emplacar novas temporadas em solo nacional. O clube, contudo, promete não medir esforços para segurá-lo. Assim como no caso de Dudu, que fechou o ano em alta e dificilmente fica por muito tempo em terras brasileiras.

Falta de amor à camisa acaba com os ídolos no País do futebol

Com uma, no máximo duas temporadas num clube, jovens com talento e iniciando a conquista do coração do torcedor jamais serão ídolos. Não terão a chance de ganhar um busto como Marcos inaugurou recentemente no Palmeiras. Eternizar o nome no clube ou figurar na galeria da fama então, nem pensar. A prova disso é que jogadores ganham festa quando completam 100 jogos num time. Marca inexpressiva lembrando de anos atrás, quando um atleta era revelado e defendia o clube por toda a carreira. No momento atual, o dinheiro é quem manda. Não existe mais amor à camisa.

Uma demonstração de que o brasileiro anda carente de ídolos vem das escalações dos times e, sobretudo, da seleção brasileira. A começar pelo gol, ninguém sabe quem é o titular, ora com Jefferson, ora com Alison e com vários nomes convocados. Tirando Neymar, uma unanimidade nacional, os outros jogadores de linha são meros coadjuvantes. Ninguém se destaca, vivem no efeito gangorra, nomes não despontam e o País do futebol cada vez mais vira alvo de chacotas e é presa fácil aos rivais.