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Quem é Gato Malandro?

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Toda noite Gato Malandro aparecia. Como bom malandro, era um amante da noite. “Gato Malandro, cadê você?” a pessoa da vez se perguntava na manhã seguinte e a resposta nunca encontrava. Nunca encontrava porque toda manhã o Gato Malandro ia embora. Ia embora para não se sabe onde, talvez para sua casa, onde quer que ela fosse. Mas era só a lua subir que ele logo aparecia e sorteava qual seria o lar da noite. E no dia seguinte “Gato Malandro, cadê você?” ecoava novamente em algum canto da cidade, de algum coração vazio que o felino preenchera por algumas horas.

Agora, caso nunca tenha visto Gato Malandro, irei fazer uma breve descrição. Gato Malandro era jovem e magro. Tinha pelos brancos com grandes manchas acinzentadas. Seu rabo era todo acinzentado e o topo de sua cabeça também, mas fora isso seu corpo era em grande parte branco. Ou seja, Gato Malandro tinha a aparência de um gato comum, mais um vira-lata entre tantos. Mas o que diferenciava Gato Malandro dos Gatos Comuns era a efemeridade de sua presença. Gatos normalmente são seres independentes e vagam pela cidade. Mas nenhum como Gato Malandro, que era aventureiro, desbravador e um amante do mundo ao mesmo tempo.

Certa noite, Gato Malandro estava mais uma vez vagando pela cidade. Era uma noite quente, muito quente. Talvez a noite mais quente do ano até então. Nem a noite conseguiu salvar as pessoas do calor insuportável. Todo o calor fez com que suas energias se esgotassem rapidamente e logo ele estava muito cansado. Precisava escolher uma casa, precisava comer, ou viraria mais uma história felina na noite. Viu uma casa, grande e bege e na varanda avistara um pacote generoso de ração. A ração não era para sua laia, afinal, na embalagem estava estampada a cara de um cachorro feroz. Era ração canina. Mas na fome não distinguimos as comidas. Comida é comida, oras bolas. Então ele pensou “É essa!” e essa era a casa escolhida. Como um bom gato, logo se esgueirou pelos muros até chegar na varanda prometida. Lá, sem a supervisão de ninguém, se esbaldou da ração que não era feita para ele. Até que, como sempre acontece, apareceram os donos humanos da casa e, como sempre, paparicaram o Gato Malandro. Gato Malandro não era muito de carinhos, mas pela hospedagem e pela comida, ele virava o ser vivo mais carinhoso do mundo. E depois de bem alimentado e bem descansado, salvo da selva de pedra quente e da noite traiçoeira, Gato Malandro mais uma vez partiu. “Gato Malandro, cadê você?”foi dito mais uma vez em algum canto da cidade quente. Mas certamente não pela última vez.

Ninguém sabe de sua vida, ninguém sabe quem ele é. Ele aparece e desaparece como convém. Gato Malandro, Gato Malandro, sossegue o facho. Sua vida é uma aventura, mas toda aventura uma hora chega ao fim. Qual serão as aventuras deste distinto felino? Em breve vocês saberão.

Raríssima imagem do Gato Malandro.