ENTRETENIMENTO

Bicada na cabeça

Filho de Mukongo
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Filho de Mukongo

Dizem que há simetria na distribuição de racionalidade entre os seres, por parte da mãe natureza. Mas não é o que conferimos habitualmente. Diante dos meus olhos, em plena urbe, um mico cruza a rua caminhando velozmente pelo fio de telefone; um bem-te-vi contrariado, num voo rasante, o persegue. Antes que o mico atingisse o outro lado da rua, o pássaro conta com a gravidade, larga o corpo no ar, fecha as asas, mira o bico e acerta em cheio o cocuruto do mini primata. Apavorado, o macaquinho curvou a direita, continuou pelo mesmo fio, descendo a ladeira, em direção ao próximo poste, que formava um ângulo reto em relação ao que cruzava a rua. O bem-te-vi deu mais meia dúzia de pinicadas no macaquinho que seguia firme, porém, para a minha surpresa, cruzou novamente a rua, outra vez à direita, subindo a ladeira, e atingiu o início do percurso - que se revelou quadrilátero -, repetindo o mesmo trajeto, atravessando e desatravessando a rua; para quem tinha minha visão, ele descia pela direita e subia pela esquerda, poupando o esforço do pássaro que, se utilizando dos mesmos recursos, por alguns minutos salpicou a cabeça do mico “rodando em quadrado”, até que os perdi de vista e me distrai com alguma outra coisa. Do alto da minha condição de ser racional, imediatamente associei o acontecido com a incapacidade de aprender pela experiência que alguns animais apresentam; refleti o quanto nós, homens, somos privilegiados e, ao mesmo tempo, desleixados. Contamos com o livro de bordo dos erros e acertos do passado e não lançamos mão deste recurso. Pouco ou nada se ouve falar que o PT cometeu o mesmo erro - consciência - que os comunistas russos. Não é melhor prestar atenção à experiência para deixar de receber bicada na cabeça?