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Ação #AconteceuNoCarnaval quer engajar o país para denunciar assédios

Geisa Agricio
Yazar
Geisa Agricio
Ação #AconteceuNoCarnaval quer engajar o país para denunciar assédios

Reprodução / Internet

Uma campanha encabeçada por organizações recifenses quer ampliar a coleta de dados sobre casos de assédio durante o Carnaval, dessa em vez em diversas cidades do Brasil. A ação #aconteceunocarnaval, idealizada em 2017 numa parceria entre a rede Meu Recife e a startup Mete a Colher, amadureceu o projeto e quer atingir focos de folia em outras cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre (RS), Ouro Preto (MG), João Pessoa (PB) e Igarassu (PE). Para tanto, terão ainda o apoio de Women Friendly e Minha Sampa, além do projeto nacional #CarnavalSemAssédio e esperam dar maior abrangência na coleta de relatos e apontar os locais em que a foliãs são mais vulneráveis pelo país.

"Para tornar tudo mais interativo e com maior impacto, vamos utilizar um canal no WhatsApp [ (81) 99140-5869 ] e o site [www.aconteceunocarnaval.org] da campanha para recolher todos os relatos recebido. Assim, garantimos que as mulheres, de forma simples, reportem o assédio que sofreram", explica Renata Albertim, co-fundadora da Mete a Colher.

Ação #AconteceuNoCarnaval quer engajar o país para denunciar assédios

Sabe-se que muitas mulheres não se sentem à vontade para prestar queixas em delegacias, portanto os dados oficiais em relação à violência contra a mulher no carnaval são subnotificados. A ideia da rede de acolhimento além de abrir espaço para o desabafo para quem quer compartilhar a experiência traumática é colher dados mais reais e fomentar políticas públicas de enfrentamento desvelando como o assédio é naturalizado e ainda mais agravado durante a catarse coletiva do carnaval.

A ideia da campanha, porém, não é substituir a denúncia que deve ser feita na Delegacia da Mulher, tampouco o acompanhamento psicossocial ao qual a vítima deve recorrer, como os centros de referência do estado e município. Madalena Rodrigues, advogada do Meu Recife, explica: "sabemos que assédio sexual é um dos crimes mais subnotificados que temos, no entanto, é muito importante termos dados para conseguir junto às Secretarias da Mulher uma política que auxilie as mulheres nos próximos carnavais".

Participar da campanha é simples, pelo site, a denunciante registra anonimamente quando e onde aconteceu o assédio, e se o caso aconteceu neste ano ou em carnavais anteriores. Segundo a campanha, somente em 2017, os casos de violência sexual registrados no país aumentaram 88% durante o carnaval.   

Outra iniciativa recifense que decidiu se vestir contra o assédio é o bloco feminista Essa Fada. Em parceria com o projeto Não é Não, e com o próprio Aconteceu no Carnaval, vai distribuir fitinhas de identificação para voluntárias que querem ajudar outras mulheres que sofrerem assédio durante os dias de momo e ainda tatuagens temporárias com os dizeres “Não é não” para quem quer brincar em paz.