RAÇA

Afrobapho materializa o ativismo queer

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Afrobapho materializa o ativismo queer

Reprodução / Facebook

Pablo Vittar está lá, no topo da cadeia da indústria fonográfica, provando que a diversidade deve ocupar todos os espaços e que resistência e pop podem coexistir. A música queer está em alta, diga-se pelo show que reuniu Liniker, Johnny Hooker e Almério no Rock in Rio.

Todo esse movimento favorece o despontar também das vozes de “bicha, preta e favela” que estão tendo o justo reconhecimento ao cantar com propriedade o cotidiano da comunidade lgbt, negra e periférica. Linn da Quebrada, Gloria Groove e Rico Dalasam são representantes da cena do funk e hip-hop LGBT em São Paulo. Mas você já ouviu falar do coletivo baiano Afrobapho?

Atração do principal festival independente do Recife, o NOAR Coquetel Molotov, se apresentou ao lado dos conterrâneos do Attoxxá. O show memorável amplia o mapa de atuação do projeto que se dispõe a “visibilizar vozes marginalizadas na intersecção entre raça, gêneros e sexualidades, numa perspectiva de luta dos negros”, de acordo com a assinatura na página do Facebook. A página é um fenômeno do “ativismo de sofá” que se materializou em ações práticas, tombando a vida cultural soteropolitana com música, dança e performances.

Seus vídeos performáticos, que colocam a contemporaneidade da periferia baiana em diálogo com a cena lgbt, têm atraído audiência para a questão, indo além do simples “já que é pra tombar, tombei”. O Afrobapho se coloca como um espaço de diálogo, de troca de experiências por quem passa pela realidade das opressões machistas, racistas e heteronormativas, numa realidade opressiva como a cultura tradicional nordestina.

O grupo é um referencial para outros coletivos de tantas outras causas, nos mostrando que é possível estar atento e forte, mas celebrando, com muito tombamento, a alegria e o orgulho de ser quem é. Aprendamos com todos os artistas que nos ensinam que um espírito combativo também se manifesta com a raba no chão.