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Aula prática para prevenir gravidez na adolescência, que tal?

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Aula prática para prevenir gravidez na adolescência, que tal?

Reprodução / Facebook

Quase metade dos bebês nascidos no Brasil nos últimos cinco anos não foram planejados. Segundo um relatório do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), 46% das gestações não foram programadas e um em cada cinco bebês que nascem no Brasil tem mãe adolescente. As políticas públicas de planejamento familiar são insuficientes, estima-se a demanda não atendida por anticoncepcionais afete de 3,5 milhões a 4,2 milhões de brasileiras em idade reprodutiva.

Anos de estudo e acesso ao mercado de trabalho podem ser afetados por jovens surpreendidos com uma gravidez não desejada. Isso impacta socialmente em suas vidas, já que 70% das mães jovens são negras e três em cada cinco não trabalham, nem estudam, reforçando por gerações ciclos de pobreza.

E o que fazer para trabalhar a prevenção e a contracepção em tempos de discursos conservadores como "escola sem partido" e a tal Ideologia de gênero em que se torna cada vez mais tabu falar de sexo nas escolas. Como adolescentes podem tirar dúvidas sobre sexualidade, e sexo e suas implicações como a gravidez? Como fazer com que eles e elas entendam o que significa gerar um filho e como isso pode trazer responsabilidades para as quais não estão preparados?

Pensando em enfrentar a questão com um “choque de realidade” uma escola religiosa do interior do Paraná, A Escola Adventista de Umuarama, resolveu usar bonecos bebês numa experiência-laboratório para demonstrar aos alunos do 8º e do 9º ano (na faixa de 14 a 15 anos) como seria se tivessem que cuidar de um filho.

Ao longo do projeto ‘Bebê de Arroz’, os alunos dedicam-se ao cuidado contínuo de bonecos de arroz de 5 kg durante uma semana. Inclusive em suas casas, tendo que conversar sobre o assunto com suas respectivas famílias. A tarefa inclui ainda trocar as fraldas, alimentar, contabilizar custos e fazer relatórios sobre a vivência de dar conta de bebê recém nascido. Esse é o tipo de ação que fala diretamente a linguagem que os jovens acessam, a prática, e aproximam um assunto que parece muito abstrato para imaginar suas reais consequências.

Talvez mais escolas pensem em aderir à ideia, mas esse tipo de projeto pode ser replicado por pais e mães dentro de casa. Afinal, não influencia apenas para que os jovens pensem duas vezes antes de transar sem proteção ou com a utilização de métodos contraceptivos, mas fica uma grande lição para vida, para que quando realmente desejem ter seus próprios filhos já tenham a noção do que é preciso para ser um bom pai e uma boa mãe.