RAÇA

Bibliopreta reúne autoras negras em plataforma online e gratuita

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Bibliopreta reúne autoras negras em plataforma online e gratuita

Reprodução / Mashable

Quantos trabalhos de mulheres negras você já leu? Quantas reconhece pelo nome? Dá pra contar mais que os dedos da mão? Já acessou a obra de Chimamanda Ngozi Adichie, Conceição Evaristo, Alice Walker ou Carolina de Jesus? E quanto ao feminismo negro? Como aprofundar uma pesquisa do tema que vá além das raras traduções no Brasil de um único livro de bell hooks (pseudônimo de Gloria Jean Watkins) e apenas dois títulos de Angela Davis?

No Brasil, 54% da população é negra e quase 52% das pessoas são mulheres. Nós mulheres negras estamos nos dois grupos majoritários do Brasil, em raça e gênero, mas somos, literalmente, quase invisíveis nas prateleiras intelectuais. É ainda muito difícil encontrar, por uma estrutura arcaica que se mantém no mercado editorial do país, a diversidade de narrativas produzidas por autoras negras.

Para tentar preencher ao menos um pouco dessa lacuna, duas intelectuais negras lançaram o site Bibliopreta. A iniciativa das pesquisadoras Sueli Feliziani e Isabela Sena reúne um acervo online e gratuito de produção acadêmica sobre feminismo negro. O projeto, nascido da necessidade de facilitar o acesso às pesquisas da interseccionalidade de raça, gênero e classe que vem sendo produzida no Brasil, tenta se viabilizar economicamente por meio de um financiamento coletivo ativo até o próximo dia 20.

A ideia é expandir traduções, artigos, resenhas, dissertações, vídeos e cursos produzidos e coletados. O material disponível traz traduções de Angela Davis, bell hooks e Audre Lorde, além de poemas de Florencer Harper e contos de Alice Walker. As teses também sistematizam e debatem pensadoras negras brasileiras como Lélia Gonzalez, Thereza Santos e Sueli Carneiro num material amplo que vem sendo coletado desde 2012.

É triste que uma iniciativa tão expressiva esteja ainda passando perrengue para conseguir arrecadar apenas R$ 4 mil reais para permanecer vivo e crescer. Só num país desletretrado que congela o investimento em educação pública pelos próximos vinte anos não tem linha de financiamento acadêmico para uma plataforma que viabiliza o pensamento crítico a respeito do feminismo negro.