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Brega recifense faz paródia até de assaltos

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Brega recifense faz paródia até de assaltos

Reprodução / internet

Quem não é daqui provavelmente não sabe, mas Recife é um país. Tamanha é a famosa megalomania pernambucana pela busca de diferenciação, que a gente fez muxoxo pro desejo separatista de Curitiba. Na nossa autointitulada nação, o Brega está para o Recife, em termos de status simbólico da expressão popular e enxovalhada ao mesmo tempo, como o Funk está para o Rio de Janeiro. Tem quem ame assumidamente e quem finge odiar, mas não fica parado mesmo assim depois de umas e outras nas festinhas.

O brega consegue traduzir, com ares de piada e cores de Almodóvar, o que acontece no mundo. É um ritual jocoso de fazer piada de si mesmo, num humor sarcástico quase inglês (sabe aquela megalomania que falei? então, sempre se faz presente em comparativos com ares cosmopolitas).

A narrativa do brega se alimenta verdadeiramente da paródia, é assim que vários hits e clássicos do brega são versões de sucessos internacionais. Depois de Despacito virar Necessito pela banda Sedutora, em toda a cidade só se escuta a versão para I got you, de Bebe Rexha, que nesta terra se transformou no viciante Só dá tu, de A Favorita. O sucesso foi tão grande que a cantora norte-americana cantarolou a roupagem made in Recife.

Como se não bastasse essa apropriação cultural breguística. Agora só se fala no Recife da paródia do canal de humor no youtube PutzVéi, que satiriza os incontáveis assaltos e o assustador crescimento da criminalidade. 

Até setembro, a Região Metropolitana do Recife, teve mais de 300 assaltos a ônibus registrados. Em todo o estado de Pernambuco, houve 138 assaltos a bancos (um a cada dois dias). A tragédia revela-se ainda mais no crescimento da taxa de homicídios de 31,5% em relação a 2016, atingindo 4.145 mortes violentas. Mas no mundo do brega, o que seria trágico, torna-se cômico. Se brasileiro faz piada de tudo, recifense tira onda dançando. Sobe o som!