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Discurso de Viola Davis expande debate sobre assédio para além de Hollywood

Geisa Agricio
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Geisa Agricio
Discurso de Viola Davis expande debate sobre assédio para além de Hollywood

Viola Davis discursou na marcha em Los Angeles (Reprodução / Getty Images) 

Era de se esperar que a repercussão dos escândalos de assédio em Hollywood e do movimento #metoo (campanha contra abuso sexual), ao lado do marco de um ano de governo de Trump, dessem o tom dos protestos da Marcha das Mulheres 2018 (Women’s March), realizada em diversas cidades norte-americanas ao longo deste último sábado.

Entre as celebridades presentes, estavam em Los Angeles atrizes como Scarlett Johansson, Natalie Portman, Lupita Nyongo. Mas quem bombou entre os discursos dando visibilidade e voz para as mais atingidas (e mais invisíveis) vítimas de abuso sexual, mulheres anônimas, pobres e negras, foi a diva Viola Davis, ao lado da toda poderosa Oprah, umas das mais relevantes celebridades negras a se pronunciar sobre o assunto.

"Hoje não estou falando só pelas mulheres do 'Me Too'. Quando levanto a mão, estou ciente de todas as mulheres que estão em silêncio. As mulheres anônimas, as que não têm dinheiro, as que não têm a constituição, as que não têm a confiança e as imagens em nossa mídia que lhes deem uma sensação de autoestima suficiente para quebrar o silêncio que está enraizado na vergonha e o no estigma do estupro".

Viola também dispôs uma linha de discurso de defesa da coletividade, indo um pouco além do ativismo liberal que apoia e destaca ações individuais nos movimentos de mudança: "Todo dia, seu trabalho como cidadão americano não é apenas para lutar pelos seus direitos, mas lutar pelo direito de cada indivíduo que está respirando, cujo coração está bombeando e respirando nessa terra".

E fez referência a Martin Luther King ao destacar que o tempo é neutro, não influencia nem positivamente nem negativamente o desenvolvimento da humanidade e depende essencialmente do esforço humano para acontecer. "Quando a gente não luta, o tempo se torna um aliado das forças primitivas de estagnação social e os guardiões do status quo mantém sentados nos lugares que tomaram mantendo viva a antiga ordem. O tempo precisa ser ajudado a cada instante, fazendo o certo".

Além de reivindicar a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a passeata que aconteceu um ano após a posse de Donald Trump e, combateu políticas do presidente, as quais muitas das participantes consideram misóginas, ofensivas e excludentes.