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O frisson do trailer de Pantera Negra repercute a demanda por representatividade

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O frisson do trailer de Pantera Negra repercute a demanda por representatividade

Reprodução / Marvel

Há muita expectativa em relação ao lançamento do filme Pantera Negra, da Marvel. Há ainda bastante discussão, em relação ao peso da representatividade da persona do primeiro super-herói negro por diversas questões, que incluem suas motivações heroicas de salvar seu povoado por ser um líder de direito hereditário ao trono.

Cá pra nós, algumas comparações são bem questionáveis ao tentar relacionar a história do Pantera Negra com estruturas ditatoriais de algumas históricas dinastias africanas, mas decerto ninguém reclama muito que Thor do alto de seu perfil nórdico se prepara para ascender ao trono de Asgard.

A verdade é que entendo quase nada de heróis, quadrinhos, ou mesmo cinema blockbuster, mas posso refletir sobre o tamanho da expectativa que é para gerações de pessoas negras e o quanto é importante ver-se no cinema como modelo.

Estamos falando de protagonismo arquetípico, não somente de um retrato de algum profundo problema sócio-racial como temos em “A Cor Púrpura”, “Preciosa”, “12 anos de escravidão” ou “Moonlight - Sob a Luz do Luar”. Essas obras contam histórias negras com um olhar antropológico, histórico ou literário, quase a pintura de um quadro de uma realidade paralela.

Também não se traduz apenas na presença heroica de um (quase) único negro solitário em sua jornada usado para ilustrar a parte pelo todo para representar a tal diversidade de Hollywood, tão comum com escalação de super astros negros como Denzel Washington, Will Smith, Jamie Foxx e agora o onipresente (ainda bem) Idris Elba.

O “Pantera Negra”, apesar de considerado por alguns críticos “um filme de preto pra branco ver”, é aquele filme que a gente quer ir pra comer pipoca, ver gente linda de arrancar suspiros, torcer no arranca-rabo de mocinho e vilão, prender a respiração nas mais mentirosas e malabarísticas cenas de ação e diante de tudo isso se aperceber que aquela fantasia toda é construída majoritariamente de pessoas como a gente (e que elenco maravilhoso, hein, gente? É pra aplaudir de pé quando rolarem os créditos!).

“Ah, mas é só isso que vocês querem?”, nos perguntarão. Claro que não, a gente quer a igualdade racial e a paz mundial, como candidata a Miss sonha. Mas por que tem que levar tanto tempo pra gente poder se identificar num roteiro besteirol que seja se as pessoas brancas podem fazer isso em quase qualquer sessão?

Quero que meu filho de oito anos tenha cada vez mais opções em pensar em que ele pode "ser” nas brincadeiras de herói, seja o Pantera Negra, o Finn de Star Wars, e tantos outros, num leque maior que a minha realidade de só poder se espelhar na Diana, de Caverna do Dragão, quando era criança.