Conheça o “Por Enquanto”: HQ sobre autom
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Giovanna Breve
giovanna.brevehá 6 meses

Conheça o “Por Enquanto”: HQ sobre autom

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Conheça o “Por Enquanto”: HQ sobre autom
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HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

Giovanna Breve
há 6 meses31 visualizações

A adolescência é uma fase que a maioria das pessoas traz boas recordações, porém, uma parte delas também carregam marcas, tanto psicológicas quanto físicas pelo corpo: os cortes nos pulsos.

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A automutilação é um problema grave que atinge os adolescentes no país e no mundo. Dentre esses jovens está Ana, uma adolescente que sofre uma relação conturbada com o padrasto e na escola e se corta como forma de aliviar suas dores. Apesar de parecer um cenário comum de um jovem, Ana é uma personagem da HQ Por Enquanto, criado pela jornalista e escritora Vanessa Bencz com a ilustração da Yasmin Moraes.

Mesmo Ana sendo uma personagem fictícia, sua situação é real, ela representa 20% dos jovens no mundo que se automutilam. Com isso, foi criado hoje o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, para conscientizar alunos e professores sobre um problema silencioso que convive em sala de aula.

 HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

Vanessa diz que criou Ana baseada em sua história de vida, aos 13 anos, a escritora passava por um período complicado na escola: suas notas estavam baixas e era motivo de zoação de colegas e professores. Ao descobrir que zerou em uma prova de matemática, começou a se culpar pelo seu desempenho. Decidida a aliviar sua dor, pegou um estilete enferrujado e, partir desse momento, teve seu primeiro contato com a autoflagelação. Segundo as estatísticas levantadas pelas autoras, um em cada cinco estudantes brasileiros, já se cortou de forma proposital.

Hoje, a jornalista superou suas dores e abraçou a luta pelo combate ao bullying. É autora de livros e a HQ “A Menina Distraída” que foca no tema bullying, financiado pelo Catarse em 2014.

 HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

Além de escrever, Vanessa realizou mais de 800 palestras em escolas pelo Brasil para falar sobre o bullying no ambiente educacional. Com essa proposta, a autora pretende lançar um spin-off da HQ anterior para abordar a automutilação. No momento, o projeto está em financiamento pelo Catarse. Confira a entrevista com a autora de Por Enquanto:

Em que momento da sua vida você decidiu retratar o bullying como sua luta social?

Vanessa Bencz: Vivi o bullying quando eu tinha 13 anos, então, isso faz parte da minha história. Na época — ou seja, há 19 anos — não existia a expressão “bullying”. Falava-se apenas que eram brincadeiras ou zoeira. E a gente tinha que aguentar. Os professores me diziam: “o mundo é dos fortes e você precisa aprender a aguentar essas zoeiras”. Há cinco anos, quando comecei a fazer palestras em escolas sobre a “importância da leitura”, vi que o bullying está tão forte quanto na minha adolescência. Isso me revoltou demais. Pensei comigo mesma: “estamos na época da internet, da informação, e isso ainda existe?” Então comecei a focar minhas palestras neste tema. Minha intenção era ensinar ferramentas de fortalecimento psicológico para estudantes, mas vi que o problema da violência nas escolas era bem pior do que eu imaginava. Muitos professores não estão preparados para lidar com casos de bullying — e inclusive muitos deles ainda pensam que bullying fortalece caráter. E o pior: muitos estudantes sofrem violência em casa ou no seu contexto familiar, e depois isso se traduz no seu comportamento na escola.

 HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

Vi que você também faz palestras em escolas sobre o assunto, como é a sensação de se abrir depois de ter passado pela experiência na escola e contar para as outras pessoas, tanto as que sofrem quanto as que fazem?

V.B: Faço palestras há cinco anos e já fiz mais de 800 palestras. No começo eu me sentia extremamente exposta e vulnerável. Depois das minhas primeiras palestras eu sentia uma espécie de ressaca. É como se fosse um arrependimento e uma sensação de fraqueza por ter aberto a minha intimidade com estranhos. Mas, aos poucos, me acostumei e entendi que falar sobre esta parte da minha história é totalmente necessário. Não sou fraca por contar uma parte ruim da minha vida. Pelo contrário, isso é coragem. Os alunos precisam se identificar e fazer o exercício de empatia para não praticar bullying com os outros.

Por que decidiu escolher a temática em forma de HQ?

V.B: Porque meu sonho, desde criança, era ser autora de HQ. Eu lia mangás, gibis de super-heróis, Turma da Mônica e outros — e a mistura dos desenhos com a literatura me encantava completamente. Quanto eu tinha 13 anos, um dia fui flagrada pelo professor de matemática desenhando na aula dele. Ele me humilhou na frente da turma e disse que eu seria uma “cartazista de supermercado”. Isso me traumatizou demais. E o pior ainda estava por vir. “Cartazista” virou o meu apelido na escola. Hoje eu sei que não há nada de errado em alguém ser cartazista. Mas, quando você tem 13 anos e ganha esse rótulo de forma pejorativa do seu professor, a coisa pesa. O tempo passou e, quase 20 anos depois, criei coragem de retomar o sonho de ser quadrinista.

Como surgiu a ideia de fazer o “Por Enquanto”? E o porquê da escolha do nome?

V.B: Em novembro do ano passado eu sonhei que era autora de uma HQ em preto e branco, parecida com “Persépolis”. Quando acordei, me dei conta de que estava apaixonada pela ideia de fazer uma HQ em preto e branco… e o tema não poderia ser outro: queria falar de automutilação. Chamei a desenhista Yasmin Moraes para trabalhar comigo e ela topou na hora. O título “Por Enquanto” remete à ideia de que o sofrimento, a tristeza e a dor são coisas de curta duração, por isso não vale a pena se automutilar. Afinal, cicatrizes são para sempre — e não vale a pena deixar registrado na pele um sofrimento. Se for para registrar algo eternamente, que sejam alegrias!

 HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

Em seu catarse, você fala um pouco da protagonista Ana, que apareceu também na sua primeira HQ e decidiu desenvolver a história dela pois seus leitores tiveram maior empatia. Você saberia me dizer o porquê dos leitores tiveram empatia com essa personagem?

V.B: Porque, infelizmente, muitos estudantes tem uma história parecida com a da Ana. Em “A Menina Distraída”, Ana sofria abusos de seu padrasto e, por conta disso, ela cometia automutilação. Eu já sabia que ela seria uma personagem bem comentada. Mas foi além disso: encontrei muitas ‘Ana’s pelo Brasil inteiro. E o melhor de tudo foi que muitos estudantes passaram a tratar com mais sensibilidade seus colegas que praticam automutilação, chegando a ajudá-los e a acolhê-los.

Quais são as suas inspirações, tanto de arte como roteiro, para essa história da Ana?

V.B: A arte, sem dúvidas, foi inspirada em “Persépolis” e em “Maus”. São minhas HQs preferidas. O estilo em preto e branco com traços propositalmente “sem capricho” mexe demais comigo. Já o roteiro, que será narrado em primeira pessoa, é inspirado nos diários que eu escrevia na adolescência e nas cartas que recebo todos os dias de estudantes.

Nesse projeto você irá trabalhar com uma ilustradora, como está sendo o processo da execução da HQ? Ela opina sobre, como funciona.

V.B: Eu conheci a Yasmin há apenas 5 meses. Foi exatamente quando postei no facebook que havia sonhado com uma HQ em preto e branco. Aí pedi para meus amigos me recomendaram ilustradoras que poderiam trabalhar comigo. Eu queria definitivamente uma mulher para desenvolver esse trabalho do meu lado. Recebi 140 recomendações de artistas incríveis da minha cidade. Uma dessas recomendações era a Yasmin. Olhei o trabalho dela e me apaixonei na hora. Era quem eu queria! Ela tem apenas 21 anos, ou seja, é 11 anos mais nova do que eu, e tem exatamente a energia, a empolgação e o capricho que eu quero de uma parceira de trabalho. Estamos desenvolvendo todos os aspectos desse trabalho juntas — desde a campanha de crowdfunding, até os detalhes da HQ.

 HQ fala sobre automutilação e bullying que precisa de apoio no Catarse.

O projeto está aberto no Catarse até o dia 17 deste mês, a meta é chegar à R$15 mil e, dependendo do valor doado, há pacotes de recompensa (como pôster, caneca, camiseta e adesivo) você pode financiar ele aqui.

Confira o teaser da HQ:

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