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House of Cards disse a que veio na quarta temporada. E isso nos arrepiou a alma

Pilar Magnavita
há 2 anos19 visualizações

Spoilers Alert (alerta de spoiler)!

Spoilers Alert (alerta de spoiler)!

Com o usual salto alto e bolsa em punho, ela caminha para fora do secular casarão branco, morada de tantas primeiras damas como ela, resoluta em deixar o marido, perplexo e atônito. Estavam no meio de uma corrida presidencial. Estavam no meio de uma crise após 30 anos de parceria incondicional. Estavam indivisíveis naquilo que eram e queriam.

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Assim começa a quarta temporada de House of Cards, magnificamente estrelada por Kevin Spacey e Robin Wright, encarnando uma trama tão complexa e inteligente que consegue me arrepiar profundamente. Como um todo, não existe nada tão profundo na TV sobre o ser humano como os questionamentos das personagens Claire e Frank. Talvez só Walking Dead.

Alguns críticos não gostaram dos últimos 13 episódios. Caíram impreterivelmente no erro fatal da comparação com o mundo real.

Não, meus caros senhores... Não é assim. Jamais atribuam valores de uma ficção com base na realidade. A arte de uma narrativa irreal é justamente a caricatura da verossimilhança com aquilo que existe. É o grotesco com poesia, a possibilidade com a impossibilidade, é um mundo onde o demiurgo, longe de ser o justo e misericordioso bom Deus, é um autor de carne e osso, que exprime uma versão improvável de mundo. Isso é arte!

E a quarta temporada de House of Cards, tirando completamente a comparação com qualquer candidato à presidência dos Estados Unidos (porque lá eles já tem um que se gaba em rede nacional do próprio pau e isso é showbiz), é um primor de roteiro, atuação, narrativa e estética. É simplesmente uma bíblia para qualquer estudante de roteiro e direção. Uma aula de ética e moral, abordando os princípios mais simples do maquiavélico livro “O Príncipe”. E nenhuma temporada termina resumindo tão bem a lógica “é melhor ser temido do que amado”, objetivo fundamental dos conselhos de Maquiavel ao duque italiano César Bórgia.

Vemos na quarta temporada uma luta de titãs. Claire, após dissabores pela forma como é tratada por Frank, decide deixá-lo. No primeiro quarto da série, temos uma apresentação de como as personagens estão conduzindo o próprio mundo. Frank na Casa Branca, Claire em Dallas. A novidade é a personagem da canadense Neve Campbell, LeAnn, que foi imaginada para ser uma mulher texana de brios (e a falta de sotaque pesou um pouco para compor essa personagem) e que chega para coordenar uma campanha para Claire conquistar um assento no Congresso. E a outra novidade é a mãe da primeira dama, Elizabeth Hale, interpretada espetacularmente pela premiada Ellen Burstyn. Esta, aliás, é uma das poucas atrizes capazes de fazer tão bem uma mulher no crepúsculo da vida e com tanta carga dramática, de alguém que carrega para o túmulo mais dissabores do que alegrias.

Com esse novo núcleo e tendo a personagem de Wright na condução desta temporada como co-protagonista (e antagonista, até o momento do clímax), posso afirmar, com toda a certeza que nenhuma outra série, feita para o grande público, conseguiu ser tão feminista quanto essa. Mas não se engane: Frank Underwood, apesar de reagir mais às situações da vida do que agir, ainda permanece como o grande líder da série. A personagem de Claire, ainda que tenha ganhado força, é a polaridade feminina do Mr. Underwood, colocada numa posição de igual, de outro. De antagonismo e, ao mesmo tempo, de sábia guru dele. A força e o calcanhar de Aquiles de uma personagem marcante.

Tanto é que foram poucas as vezes que Frank Underwood falou à câmera nesta temporada. Considerado como um recurso mal visto e de roteiristas preguiçosos, nenhum autor e ator conseguiu empregar isso tão bem quanto em House of Cards. Para uma série de política, se tornou fundamental para explicar os meandros desse setor, e, na pele de Spacey, se tornou uma arte capaz de nos envolver e nos tornar cúmplices das tramas e maquinações de Frank Underwood.

House of Cards disse a que veio na quarta temporada. E isso nos arrepiou a alma

Na metade da temporada, no meio do segundo ato e na corrida presidencial bem quente, temos um SUPER clímax, seguido pelo momento de roteiro “top of the mountain” (topo da montanha). Primeiro achamos que tudo está perdido, que a série acabou no meio. Uma das poucas viradas de trama (turning point) tão bem executadas e planejadas. Temos a sensação de que o show desandou, que não o “compramos” pela personagem da Claire, mas, sim, de Frank. E o queremos de volta! Torcemos pela condenação divina dele, ao mesmo tempo que afagamos a esperança da redenção. E isso acontece. Eis que o demiurgo dá nova chance a ele. E de antagonista, Claire, alcançando seus objetivos, volta à destra do marido.

House of Cards disse a que veio na quarta temporada. E isso nos arrepiou a alma

Mas esse perdão divino do autor não vem sem um preço. Política externa: terrorismo. E isso irá marcar a segunda metade da temporada.

Uma personagem perdida nos confins da primeira e segunda temporada volta às telas: é Lucas Goodwin, na pele de Sebastian Arcelus, que passou bom tempo preso pelo ciberterrorismo que nunca praticou. E com ele, todos os esqueletos que Frank enterrou para chegar à Casa Branca parecem ressurgir dos recônditos de um passado oculto.

Tom Hammerschmidt (Boris McGiver), macaco velho e diretor aposentado do Washington Herald, fareja a história de longe, num show de talento jornalístico muito maior do que o mediano Spotlight, e segue as pistas como um verdadeiro repórter. Por meio dele, o roteiro desenvolve para o momento do “all is lost” (tudo está perdido), na passagem do segundo ato para o terceiro ato.

Todos esses elementos acontecem no meio de uma corrida presidencial, durante terrorismo, ataques da Secretária de Estado, Cathy Durant (Jayne Atkynson) diante das tramoias de Frank e de um novo adversário, que assume fracamente o antagonismo, como o candidato à presidência Will Conway (Joel Kinnaman não deu intensidade dramática ao papel), buscando ser um político/celebridade amado. Kevin Spacey engole o cara, da mesma maneira que Frank engole o candidato.

House of Cards disse a que veio na quarta temporada. E isso nos arrepiou a alma

E no meio desse caos no qual o casal presidencial é pego no redemoinho de acusações e problemas, realmente vemos a que vieram Frank e Claire. É quando eles se revelam e quando nós compreendemos para quem, de fato, estivemos torcendo esse tempo todo. Eles viram a mesa.

 É aí, no último segundo da temporada, que vem a pergunta: você se arrepende para quem torceu?

House of Cards disse a que veio na quarta temporada. E isso nos arrepiou a alma

#houseofcards #seriesdetv #kevinspacey #robinwright #temporada4 #entretenimento

Cerco da PF a Lula vira propaganda involuntária do retorno de 'House of Cards'

Sheila Vieira
há 2 anos16 visualizações

Porque o Brasil não perde uma única oportunidade de praticar a ZOEIRA.

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Cerco da PF a Lula vira propaganda involuntária do retorno de 'House of Cards'

Como vocês sabem, o Brasil vive um dia um tanto agitado, com a Polícia Federal levando o ex-presidente Lula para depor, como parte das investigações da operação Lava-Jato. Pessoas protestam contra e a favor, passageiros surtam no aeroporto, tuiteiros brigam e o dólar cai, mas muita gente aproveitou a oportunidade para lembrar que HOUSE OF CARDS VOLTA HOJE.

Será?

LULA UNDERWOOD.

Provavelmente não, já que todos estão fazendo esta piada.

Alô, ateus!

É sério: o Zero Hora fez uma capa diferente para a internet hoje para divulgar a quarta temporada da série.

Não há dúvida.

Para a gente fazer piadas com o Lula?

É mais caro que Netflix.

Até em espanhol!

Coincidvamospararporaí.

Pelo menos, na ficção, essas histórias chegam ao fim em algum momento.

#houseofcards #lula #netflix

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giucarpes
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