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10 dificuldades para quem sonha em estudar fora. Eu ignorava várias delas

Giu Carpes
2 yıl önce9 görüntüleme
10 dificuldades para quem sonha em estudar fora. Eu ignorava várias delas
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Fiquei comovido com a história de Jaleska Mendes (ver abaixo), jovem do projeto social WimBelemDon que conseguiu uma bolsa de estudos para cursar universidade no Estados Unidos mas teve o visto negado pela burocracia americana. 

Assim como ela, muitos brasileiros têm o sonho de aliar uma oportunidade educacional melhor com uma experiência de vida marcante, conhecer gente de todo o mundo, essas coisas. Há inúmeras oportunidades de bolsa e empresas e fundações capazes de ajudar o estudante a realizar seu sonho. O que eles não dizem? Existe um lado muito difícil na coisa toda de estudar fora.

Graduados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e já com alguma bagagem profissional, eu e minha esposa conseguimos realizar esse sonho em 2014 depois de muitos anos tentando bolsas (nunca conseguimos nada) e juntando dinheiro. Até pouco mais de um mês atrás - no início de novembro/2015 voltamos da Holanda, onde cursamos mestrado na Erasmus University Rotterdam - eu ainda me questionava: "Será que valeu a pena?". 

Com a grana que gastamos podíamos ter comprado várias coisas, investido. Não fizemos nada disso e ainda voltamos para casa desempregados. Mas a resposta para aquela pergunta: valeu a pena, mas convém levar em conta e estar preparado para as dificuldades que invariavelmente vão aparecer. Muitas eram amplamente ignoradas por nós. Eis uma pequena lista delas:

1. Estudar fora é caro

A menos que você consiga uma (disputadíssima) bolsa de estudos que vai pagar por todo o sonho, estudar fora é caríssimo. Em tempo de crise econômica e real desvalorizado então, é missão quase impossível usar sua poupança de anos para pagar seus estudos no exterior. Conosco, por exemplo, funcionou assim. Meu curso custou 11000 euros, o da minha mulher 22500 euros e os custos mensais chegavam a 2000 euros para o casal. Faça as contas, é muito dinheiro. Ao ficar um ano fora, você praticamente abdica de receber (estudar e trabalhar é dureza), mas se compromete a gastar (muto). Leve isso em conta.

10 dificuldades para quem sonha em estudar fora. Eu ignorava várias delas

2. A exigência é enorme

Durante os quatro anos (na verdade, 4,5) de graduação não estudei nem 1% do que estudei durante o único ano de mestrado. Isso que na graduação consegui uma bolsa para realizar minha monografia com apoio, tirei 10 na banca e ainda ganhei um prêmio nacional por ela. No mestrado, passava pelo menos 10 horas por dia estudando. Na Holanda, notas acima de 9 são raríssimas - só tirei um 9 - e os alunos acham ótimo ficar com 7,5. Os professores são muito exigentes - e não quer dizer que sejam ótimos. Ou seja, é necessário aprender a lidar com a frustração de estudar feito um condenado e não receber uma nota tão boa no fim das contas em uma disciplina onde o professor dava aulas chatas.

3. Você será sempre um estrangeiro

A menos que tenha um passaporte europeu ou um greencard (e talvez mesmo assim), você será sempre um estrangeiro no país onde for estudar. Isso, na Europa e Estados Unidos, significa ser tratado como um cidadão de segunda classe: você vai pagar mais caro por tudo (educação, transporte, documentos, alimentação, etc) e não terá muitos direitos (os locais têm a preferência em empregos, estágios, filas de aeroporto, etc). É chato e frustrante muitas vezes. Eu consegui um trabalho temporário de 3 meses na universidade e perdi um mês desses três esperando permissão oficial para trabalhar - mesmo que o meu visto fosse de estudante e desse direito a trabalhar por 20h semanais, ainda precisei aplicar para uma permissão. Só não me substituíram por outra pessoa porque o meu chefe também era estrangeiro e tinha recebido boas referências a meu respeito.

4. Há grandes chances de ser discriminado

A xenofobia ainda é um câncer na Europa - imagino que nos EUA também. O terrorismo de grupos islâmicos não ajuda em nada a diminuí-la. Num país onde, sei lá, 80% das pessoas são loiras, minorias negras e islâmicas vivem apenas em subúrbios, se você não for loiro ou não falar a língua local (é impossível aprender holandês em um ano), é óbvio que você tem grandes chances de ser discriminado. Barbudo e moreno de cabelo crespo, fui chamado de marroquino num bar. Não teria problemas com isso, mas o fato é que se te chamam de marroquino na Holanda é porque estão querendo te insultar.

5. Relação bastante mercantil dos países desenvolvidos com os estudantes de países subdesenvolvidos

Fica claro que você, estudante estrangeiro, só é bem-vindo lá fora enquanto estiver injetando recursos na economia local. Muito do financiamento das universidades europeias é feito por dinheiro pago por estudantes estrangeiros (que pagam até 10x mais que um europeu pelo mesmo curso). Vistos são caros. Depois que acabam seus estudos, eles ficam mais caros e improváveis de conseguir ainda. Você virou competidor de um europeu no mercado de trabalho e vai precisar pagar mais por isso, oras.

6. A burocracia

Para estudar na Europa ou nos EUA, você precisa dar inúmeras garantias de que é só isso que quer fazer mesmo. Se desconfiarem que o seu curso é só uma porta para entrar e tentar viver no país, as autoridades de imigração vão impedi-lo de embarcar, não tem jeito. Esses processos são demorados. Para completar, a burocracia brasileira também não ajuda. Você precisa pagar imposto de renda (nunca entendi) para pagar a tuition fee do seu curso, por exemplo. Há limites para remeter seu dinheiro para o exterior, mesmo que seja apenas para custear sua estadia por lá. Morremos com mais de R$ 10 mil em IR e perdemos cerca de 20% do dinheiro que juntamos com a desvalorização do real porque não pudemos mandar tudo que tínhamos para a Holanda logo no início. Aí depois de três meses por lá bateu a crise... Se a burocracia significasse só perda de tempo, tudo bem. O problema é que nesses casos significa desperdício de dinheiro (que você já tem pouco). 

7. A língua

Faz uma boa escolha quem escolhe um país de destino cuja língua nativa seja o inglês ou o espanhol, idiomas que a gente já estuda por aqui normalmente. Como sabíamos que 96% dos holandeses falam inglês, resolvemos ir pra Holanda mesmo (era mais barato que estudar/morar na Inglaterra, por exemplo). O problema: não são todos os holandeses que falam inglês e vários vão passar pelo seu caminho em 1 ano. Mais: muitos dos que falam não gostam questão de falar inglês em sua própria terra. Além disso, todos os documentos e correspondência oficial (contas a pagar, por exemplo) que você receber serão em holandês. Se vira no Google Tradutor (já aviso que é um drama).

8. O frio

Temperaturas negativas ocorrem com frequência na Europa e nos EUA. Chove, neva e venta muito. Pra mim, o inverno na Holanda durou nove meses. E é um saco precisar usar roupas e sapatos pesados todo dia.

9. A frieza

Durante esses nove meses de inverno, as chances de encontrar com uma pessoa antipática que não vai fazer questão de te ajudar é grande. Na primavera, aos primeiros indícios de sol, as pessoas já ficam mais agradáveis. O clima influência o humor. Então, em lugares frios, espere frieza das pessoas. 

10. A saudade de casa (para terminar, uma dificuldade óbvia)

Tem gente que sente mais, tem gente que sente menos. Se você vai em casal provavelmente sente menos. Mas uma hora ela bate. Pode ser naquele aniversário do seu sobrinho, quando sua mãe preparou aquele seu prato preferido e seus irmãos mandaram foto no WhatsApp, naquele Natal longe. Todo mundo sabe onde aperta o seu calo da saudade. Prepare-se para sentir saudade e lidar com isso.

É isso. Boa sorte para quem quer estudar fora. Apesar das dificuldades, vale a pena, sim.

#estudarfora #dramasreais

Hikayeyi okudun
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tarafından yazıldı
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giucarpes
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