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O policial que adotou a filha de uma moradora de rua

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A função de um policial não deve se restringir à mera repressão

O policial que adotou a filha de uma moradora de rua

Qual a função de um policial? Garantir a segurança pública, talvez? Reprimir manifestações, prender delinquentes?

Enquanto vivemos, no Brasil, uma tendência de militarização excessiva da polícia, um policial nos Estados Unidos mostrou que o lado humano ainda faz parte do trabalho de segurança pública.

Em setembro, Ryan Holets, de Albuquerque, nos Estados Unidos, conduzia uma operação qualquer quando se deparou com a moradora de rua Crystal Champ nas ruas, perto de uma loja de conveniência na cidade de Novo México. A jovem, visivelmente fraca e desnutrida, estava usando heroína junto com um amigo, que também mora na rua.

Ao iniciar a abordagem, Ryan percebeu que Crystal estava grávida. E questionou: “você está matando seu bebê. Por que você está fazendo isso?”.

“Na minha cabeça, eu só pensava: ‘como você pode me julgar? Você não tem ideia de quão difícil é’”, ela contou em entrevista à rede americana CNN.

Crystal diz que aborto nunca foi uma opção. Desde a época de adolescência, ela vem lutando contra o vício por heroína e metafetamina, o que fez com que ela acabasse na rua desde 2015.

Durante o encontro com o policial, Crystal contou a ele que estava desesperada na procura de alguém que adotasse seu bebê, já que ela jamais teria condições de cuidar da criança por conta do vício. Naquele momento, ela conta que “o policial deixou de ser apenas um policial para se tornar um humano.”

Isso porque, instantes depois, Ryan ofereceu o improvável: disse que ele mesmo, junto com sua mulher Rebecca Holets, adotaria a criança.

Incrédula, Crystal dirigiu o olhar ao policial, “para garantir que seus olhos eram verdadeiros e sua alma, boa”. E então disse sim.

Ryan não precisou nem abordar o assunto com sua mulher, porque sabiam que os dois estavam na mesma página. “Ele já sabe do meu coração em questões como essa, e ele sabia que eu entraria de cabeça nisso junto com ele”, contou Rebecca.

Os dois decidiram que o nome da bebê seria extremamente simbólico para a situação: Hope, que em inglês significa “esperança”.

Contrariando o que se podia esperar, Hope nasceu sem quaisquer complicações no dia 12 de outubro. Apesar disso, ela nasceu - como todos os bebês que passam pela mesma situação - com um vício físico em drogas. A recém-nascida teve de passar por semanas de abstinência e tratamento médico até que seu corpo estivesse livre de quaisquer resquícios químicos. Desde então, a nova família levou Crystal a uma última visita a criança.

O olhar atento de Ryan acende a discussão sobre os malefícios que uma mãe viciada em drogas pode causar ao seu feto. O número de bebês expostos a reagentes químicos provenientes de drogas como heroína triplicou entre 1999 e 2013, concluiu um estudo do “Centers for Disease Control and Prevention”. Segundo eles, um bebê nasce a cada 25 minutos por complicações como essa nos Estados Unidos, e, em sua maioria, com degenerações difíceis de serem revertidas.

Abaixo, o vídeo produzido pela CNN mostra mais detalhes do ocorrido: