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Por que a Petrobras reduz o preço da gasolina, mas nada acontece?

Gustavo Kahil
há 8 meses16 visualizações
Por que a Petrobras reduz o preço da gasolina, mas nada acontece?
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O jornal alarma: a Petrobras reduziu o preço da gasolina. O povo comemora, vai encher o tanque e...opa! O litro subiu! O que está acontecendo? O objetivo da “nova” Petrobras não era ter mais transparência na política de preços? O competente Pedro Parente, o novo presidente da estatal, não está vendo isso?

É difícil explicar isso tudo, mas vamos lá tentar! O mercado é ENORME, são 300 bilhões de reais por ano. É algo que está em nossa vida diariamente. O petróleo é a commodity das commodities. Os traders negociam como loucos no mundo inteiro e especulação come solta. Isso, claro, sem falar das ramificações políticas em torno do ouro negro.

Assim, nada mais natural para uma empresa que segue as regras de mercado, como a Petrobras, se integrar na cadeia e seguir o preço internacional. No Brasil, já há um tempo o mercado de importação e exportação de combustíveis é livre. Qualquer um pagando o frete pode trazer o combustível e competir.

Antes, entretanto, a Petrobras fazia dumping (vendia mais barato do que o preço real para controlar artificialmente a inflação). Agora, a estatal parou de esbanjar nosso dinheiro e sufocar o mercado.

Então, mesmo com a competição, o que está acontecendo?

Alguém poderia dizer que a culpa é das distribuidoras. São três distribuidoras com quase 90% do mercado. É uma concentração considerada média-alta, ao olhar indicadores como HHI (índice de concentração de Herfindahl-Hirschman), como o Cade – que é o responsável por acompanhar a concentração do mercado - gosta de ver.

Se for esse o problema, bem... o Cade não parece estar tão preocupado assim. Poucos apostam que o regulador irá interferir para valer na compra da Ale pela Ipiranga.

E as desculpas?

Já é recorrente: após cada redução de preço os jornalistas vão atrás dos especialistas, que jogam a culpa em impostos, custo do etanol, frete e etc.. Como é uma cadeia gigantesca, sempre vai ter algum dos componentes do preço aumentando. E talvez, quando não houver, os estados serão rapidinhos em aumentar o ICMS do combustível. É o produto que mais traz receita desse imposto para os estados...

E se nenhum preço aumentar, o combustível cai?

Mas e a oferta e demanda, onde está? Bom, ela é um pouco mais lenta que os nossos donos de postos. E o que acontece aqui, acontece também com a gasolina em vários países. É o efeito “rocket and feather”, ou seja, quando vai subir, sobe como um foguete, e para cair, desce como uma pena.

É simples: se o preço subiu, algum dos seus vizinhos com estoque baixo vai precisar aumentar rapidinho, e você já com estoque alto vai aproveitar a mamata. O seu ganho não aumenta se vender o estoque antigo à preço baixo. Agora... se o preço cai, você vai esperar algum vizinho seu reduzir o preço... e a vontade para diminuir não é tão intensa assim....Aí está o porquê de nada acontecer quando você passa no posto após a Petrobras seguir o mercado internacional.

Calculadora moral: Eike é mocinho ou bandido?

Gustavo Kahil
há 9 meses2 visualizações
Calculadora moral: Eike é mocinho ou bandido?
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A exclusiva do Jornal Nacional com Eike Batista na semana passada serve como uma proxy interessante sobre a reação dos brasileiros em relação à prisão do ex-bilionário. Era possível ver brasileiros passando no saguão do JFK e pedindo selfies com o personagem. Eram mais fãs do que críticos. Até atrizes vilãs em novelas sofrem mais ao sair nas ruas.

O que explica esse comportamento? Qual é o julgamento moral? É só o fato de não ser político? Talvez Marcelo Odebrecht não tenha a mesma facilidade para sair às ruas no futuro.

Moral, para muitos, é um valor absoluto, mas a verdade é que muitas vezes é relativizada. Existe um conceito de um “mal menor” ou o famoso “os fins justificam os meios”. É o que parece ter acontecido neste caso. Eike era, afinal, bem-intencionado. Uma das perguntas feitas a ele foi: Existe outra forma de fazer negócios no Brasil?

É como se pudéssemos aceitar alguns milhõezinhos aqui ou ali para atingir o nobre objetivo de transformar a infraestrutura mambembe brasileira. É só mais um grãozinho de areia no caminhão de corrupção do país, não é mesmo?

Comparando

Quem vai para o céu antes? Dilma Rousseff vista como “incapaz, mas honesta”, ou Eike? Ele, o herói azarado que jogou as regras do jogo. Ou ainda aquele que “rouba, mas faz”? Quem merece mais a nossa indignação? Precisamos de uma calculadora moral... vamos às contas:

1 - Dilma não roubou, mas a década perdida vai ter um custo no sofrimento de uma nação, a não falar do mundo, fazendo o FMI revisar as previsões de crescimento MUNDIAL para baixo com a crise do Brasil.

2 - Eike corrompeu (é pior que ser corrompido?), mas investiu. Mentiu, mas era a regra e o risco do mercado (qual CEO não mente em suas projeções? Segundo o pensador Nassim Taleb, todos, mas somente os sortudos sobrevivem). Será que existe uma compensação por ter mentido um pouco, mas catalisado bilhões de reais em investimentos? Isso lhe daria bilhões de pontos em nossa calculadora moral?

Depende do quão keyenesiano você é.

Se você está do lado dos que pensam que se o governo enterrar garrafas com dinheiro isso gera ocupação e renda, daí sim. Mas se você se preocupa mais com os multiplicadores, daí não. Os investimentos dele não foram muito melhores do que os estádios da copa em Cuiabá e Manaus. E essa brincadeira do Eike custou pelo menos umas 10 vezes mais. E nem teve festa.

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