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Por que o Rio de Janeiro não paga os funcionários com “cariocoins”?

Gustavo Kahil
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Gustavo Kahil
Por que o Rio de Janeiro não paga os funcionários com “cariocoins”?

Os estados estão em uma grave crise, o Brasil está em uma grave crise. A farra do governo federal e das isenções fiscais do governo PT (lembra do IPI zero? Os acionistas da Fiat se lembram bem felizes) acabou e, mais uma vez, quem vai pagar por tudo isso é você. Na carne. A brincadeira ideológica com a economia brasileira lhe roubou o emprego e o seu salário.

E agora, com resolver? Ninguém vai emprestar para esses estados falidos... é a crise das crises. O que fazer?

Na verdade, todo mundo sabe o que fazer. A realidade, entretanto, é ainda pior. Veja só, caro leitor, antes da crise todo mundo também já sabia o que era para fazer: não gastar tanto com tanta bobagem. Com os bancos e os mercados virando as costas, lá veio paizão governo federal para dar uma mão amiga em troca de disciplina.

MAS...será que os estados não querem se comprometer? E, se o governo ajudar, o famoso “risco moral” pode dar as caras. Vai parecer aquele paizão com o qual o filho adolescente sempre pode contar e assim continua irresponsável. Então, se eu sou um governante irresponsável, o que eu posso fazer para pagar as contas? Disciplina? Alguém compra essa ideia?

Bomba na mão de cada um

Um caso interessante aconteceu na crise de 2001 da Argentina. A bagunça na economia era parecida com a nossa e levou uma década para melhorar.

Os estados argentinos ficaram sem dinheiro e crédito e resolveram inventar uma moeda própria para pagar os seus funcionários, os chamados Patacones. Era muito parecido com uma nota de peso argentino, mas no verso da nota tinha um contrato. No final do ano você poderia levar essa nota a um banco e trocar 100 patacones por 107 pesos. O comércio aceitou a ideia – não tinha outra opção - e até aceitava com um descontinho...

Hoje com tecnologias mais avançadas, poderia se pensar até em uma espécie de bitcoin para pagar os funcionários. Talvez seja melhor do que não pagar. Uma solução um pouco “heterodoxa”, como já cansamos de ver de nossos governos no último século de economia no Brasil. Mas é sempre bom relembrar a história de como os governos conseguem ser mais criativos do que responsáveis. Quem tem um filho adolescente pode enxergar alguma semelhança.

Ps. Claro que essa ideia é maluca e, graças a Deus o Brasil passou essa fase, mas o objetivo aqui é mostrar como os governos podem ter ideias malucas e, ainda assim, executá-las. Como também mentem a toda hora. E isso fazem muito bem.