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Jeronimo Molina
jeronimo.molinahá 5 meses

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Aquilo que pensamos sobre nossa vida em sociedade
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Ter humildade não é viver na penúria

Ter humildade não é viver na penúria
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Seja humilde. Essa é uma máxima de diversas crenças e filosofias. Podemos dizer que o quesito básico para ser humilde é se colocar no lugar do outro, ter empatia. Infelizmente hoje não estamos com essa palavra muito em voga em nossa vivência social. Caminhamos rumo a antipatia, no qual todos se colocam a pensar sobre si mesmos, mas não de forma narcisista e sim de forma queixosa.

Se olharmos para nossa própria existência podemos ver que não somos tão humildes, pelo contrário. Em raras ocasiões nos posicionamos no lugar de outrem. Simplesmente ignoramos que o próximo tem defeitos e virtudes como nós, que também tem problemas como nós, mazelas, chagas e marcas. Acreditamos que nosso próprio mundo é fardo bastante para deixarmos de lado a situação alheia.

Rotulamos então como humilde aquela pessoa que não detém posses. Dinheiro, propriedade ou conta bancária se tornam pré-requisitos para determinar se alguém é ou não. E tal afirmação vem carregada de significado como baixa escolaridade, pouca influência social, periferia, tristeza e sofrimento. Imaginamos de pronto que uma pessoa humilde não seja capaz de ser um cidadão pleno. Empurramos com nossos conceitos tal indivíduo para a margem de toda a sociedade.

Precisamos convir que fomos ensinados assim. Creditamos ao sinônimo para humildade uma vida sem luxos e muita luta cotidiana. Quem sabe nos referimos a humildade como de Francisco de Assis que se tornou santo graças a sua vida desprovida de conforto mínimo. Até mesmo nos referimos a humildade como descrito na Bíblia que “é mais difícil um rico entrar no reino dos Céus do que um camelo passar por um buraco de uma agulha”. Conectamos durante anos a questão de humildade com falta de recursos.

Deveríamos lembrar que uma pessoa em condição precária pode ser humilde ou não. A condição econômica de um indivíduo não poderia ser a chave para caracterizar atributos como bondade, benevolência e humildade. Iríamos incorrer em erro, pois condição não pode significar a forma de vermos o mundo. Existem aos borbotões narcisistas em condições econômicas desfavoráveis.

Viver em condição de penúria forçada também não fará com que seu pensamento seja modificado. Ninguém se torna humilde do dia para a noite, muito menos vivendo sem conforto tão necessário quanto almejado pela nosso pós-modernismo social. Existe uma construção interna para se tornar alguém mais humilde, e não passa pela condição financeira.

A derrocada em queda livre, de uma posição destaque, encaminhando para a vala dos comuns da sociedade, pode (em que pese outras circunstâncias), tornar alguém humilde. Reforça-se o “pode”. Acontece que ninguém é obrigado a mudar sua conduta simplesmente pela perda de economias ou dinheiro. Situação de miserabilidade pode ser um influenciador, mas jamais será o estopim. Prova disso são aqueles antes fidalgos que caminham pelas ruas empoeiradas e sujas portanto roupas de grife, mas com pés descalços.

Tão pouco podemos dizer que um endinheirado deixa a condição de humilde graças sua conta bancária recheada. Talvez o valor que emprega para o outro seja demasiadamente superior àquele que vive em condição precária. Reforço também o “talvez”. Não é consenso entre abastados que humildade seja função necessária para conquistar mais, pelo contrário. Normalmente ricos não convivem com pobres (ou desprovidos de condição material significativa), por não pertencerem mais ao grupo. Não querem sofrer, preferem a vida de luxos e condição momentânea antes de voltar ao pó imaterial no pé da cova.

Não podemos contar além dos dedos de uma das mãos, mas existem, em todos níveis sociais, humildes. Como significado acima descrito, ser humilde é ter empatia. São estes que estão com braços estendidos quando alguém precisa de ajuda, seja para atravessar uma rua ou comprar comida. Não abdicam de sua condição financeira — favorável ou desfavorável- para auxiliar. Estão dispostos a compreender a agruras que passa a dona de casa no cuidado com os filhos, o médico no hospital superlotado, o trabalhador desempregado ou o professor com seus alunos desatentos. Não hesitam a colocarem-se no lugar do mais próximo, nem que para isso precisem evitar de pensar um pouco em si. Humildes mas não sem conhecimento da vida cotidiana. Talvez por terem vivido antes, ou, talvez por não querer viverem.

Exatamente na mesma Bíblia que relata a abdicação da renda para adentrar no reino dos Céus consta que os “humildes serão exaltados”, e de fato serão. Pois alguém com humildade em reconhecer a dor, a mágoa, a angústia, a necessidade do próximo, independente de sua condição será sem sombra de dúvida lembrado. E não falo da lembrança divina, mas será lembrado eternamente como um verdadeiro auxiliador.

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jeronimo.molina
Administrador, professor e ativista político.