CURIOSIDADES

A era das mulheres nos filmes de terror chegou e isso é maravilhoso

Júlia Korte
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Júlia Korte

Como esse gênero do cinema tem contribuído contra a desigualdade em Hollywood

A era das mulheres nos filmes de terror chegou e isso é maravilhoso

Foto: Cena de "RAW", terror canibal dirigido por Julia Ducournaus | Nerdologista

À frente das câmeras, nos filmes de terror, as mulheres nem sempre foram vítimas indefesas que gritam por socorro até que um homem venha salvá-las. Isso já faz algum tempo, bem antes do "Doce Vingança" (o remake conhecido de 2010), por exemplo. Pense em Jamie Lee Curtis em "Halloween: A Noite do Terror" (1978) ou "Carrie, A Estranha" (1976).

A era das mulheres nos filmes de terror chegou e isso é maravilhoso

Foto: Cena do remake de "Carrie", em 2013

Nos bastidores, porém, sabemos que a história é um pouco diferente, e que o universo do gênero é, predominantemente, dominado por homens. Afinal, quando você pensa em um diretor provavelmente deve lembrar de Alfred Hitchcock, James Wan ou Eli Roth, certo? 

Mas quantas mulheres relevantes no gênero você consegue citar de cabeça?

Bem, isso está prestes a mudar, em todos os sentidos. Acredite, entramos numa nova era do cinema. Um belo exemplo é "RAW" (2017), que chegou ao Brasil como “Grave“, e é da promissora e premiada diretora francesa Julia Ducournaus. Apesar da fama de ter feito pessoas desmaiarem em uma exibição no festival de Toronto, foi elogiadíssimo pela crítica especializada. O mesmo aconteceu com "O Babadook" (2014), da australiana Jennifer Ken. Além de horripilante, foi só sucesso. 

É claro que a misoginia existe nas telas e fora delas. Mas já podemos enxergar mudanças significativas, pois o papel delas nos bastidores das produções é apenas parte de um movimento muito maior. 

Retratar cada vez mais as mulheres como sobreviventes, personagens fortes, com histórias interessantes, também está revolucionando as telonas. Mesmo que não tenha reparado, quase todos os últimos sucessos tem sempre mulheres em papéis centrais. É o caso de "A Bruxa" (2015) ou "Corra!" (2017). Fora "Segredos de Sangue" (2013), "Sob a Pele" (2013), "REC" (2008), "Você é o Próximo" (2011). E a lista continua…

Se não está convencido do fenômeno, tem mais. Curiosamente, os filmes de terror atraem e têm atraído, muitas mulheres. Segundo o The Guardian, que se aprofundou no tema, o público do gênero é também feminino; em 2013, "Invocação do Mal" teve 53% de espectadores mulheres; em "Uma Noite de Crime", esse número subiu para 56%. "Mama", 61%. É difícil pensar que tudo não está relacionado.

Claro que a discussão sobre representatividade feminina em Hollywood não se restringe aos filmes de horror. Mas essa conquista é relevante para o universo do cinema como um todo, já que contraria qualquer número atual. 

Apenas para efeitos comparativos: professora Stacy Smith, da University of Southern California, pesquisadora na área, descobriu que dos 5.839 personagens dos 129 filmes que mais arrecadarem entre 2006 e 2011, apenas 30% eram mulheres ou garotas. Enquanto isso, apenas 50% dos filmes preenchiam os critérios do Teste Bechdel, que conta filmes com pelo menos duas mulheres falando sobre outras coisas que não sejam homens. 

Entendeu agora a importância?