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O problema do controle de armas nos EUA é muito maior do que os tiroteios

Júlia Korte
há 18 dias75 visualizações

Ataque em Las Vegas reacende o debate sobre o controle ao armamento nos EUA e divide políticos

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O problema do controle de armas nos EUA é muito maior do que os tiroteios

Foto: Reprodução/ Internet

O ataque a tiros ocorrido em Las Vegas no domingo, 1 de outubro, entrou para a história como o maior massacre já realizado nos Estados Unidos com armas de fogo. Segundo informações divulgadas, o evento trágico soma até então 59 mortos e mais de 500 feridos. 

Ainda não foi descoberta a motivação do autor dos disparos, Stephen Paddock, de 64 anos, que cometeu o crime da janela do 32º andar do hotel Mandalay Bay, que ficava em frente ao festival de música country ao qual atendiam as vítimas. 

Os relatos são duros. Em um deles, é possível notar o choque das vítimas. “Estávamos assistindo ao show, muito bem, quando ouvimos algo que parecia com fogos de artifício. Imagino que era uma arma automática, porque, na verdade, pareciam fogos de artifício até que começou a comoção do lado do palco do Mandalay Bay, com pedidos por médicos e Aldean deixando o palco”, contou Joe Pitz ao jornal “Las Vegas Sin”. 

Em outro, um rapaz conta que viu um homem ferido no pescoço “e, depois, as pessoas começaram a cair como moscas”. Trágico, no mínimo. No vídeo abaixo, é possível ver o momento e o desconcerto do público: 

O mundo lamenta o ocorrido. Enquanto isso, entra em pauta mais uma vez o debate acerca do armamento da população no país, ainda mais considerando que em diversos estados, como Nevada - onde ocorreu a carnificina -, é fácil ter acesso a armas.

O próprio atirador tinha mais de dez fuzis em seu quarto de hotel. É muita coisa. 

Apenas algumas horas após o massacre, políticos começaram a se manifestar. O presidente Trump, republicano e aliado do NRA (National Rifle Association, a maior organização do lobby das armas nos EUA) considerou esse como um "ato de pura maldade". Porém, não fez menção alguma às leis nesse sentido. 

Do outro lado, os democratas, partido de centro-esquerda, chamaram a atenção à questão. A própria Hillary Clinton, ex-candidata à presidência e oposição de Trump nas urnas, clamou por mudanças. “Nossa tristeza não é suficiente. Temos que deixar a política de lado, enfrentar o NRA e trabalhar juntos para que isso não se repita”, escreveu. 

Segundo dados alarmantes do Departamento de Justiça e do Conselho de Relações Exteriores americano, o número de pessoas mortas em incidentes com armas de fogo nos Estados Unidos entre 2001 e 2011 é mais de 40 vezes maior do que o de mortos em ataques terroristas. E mais, os homicídios com elas são uma causa de morte comum no país, matando tantas pessoas quanto acidentes de automóvel, ou o equivalente o equivalente a 27 pessoas mortas a tiros a cada dia. 

Parece uma matemática relativamente simples que alerta sobre a necessidade do controle, mas o o problema é muito maior do que isso. O primeiro fato complicador é que o direito ao porte é garantido pela própria segunda emenda à Constituição norte-americana. Por isso, em todos os estados, mesmo que com variações, pessoas adultas podem comprar armas. Em tese, para autodefesa. Como a história recente prova, nem sempre é assim.

Só para ficar bem clara a dimensão do problema: foi calculado pelo Mother Jones que, caso uma lei que pretendia proibir a venda de rifles de assalto, limitar a venda de magazines com mais de 10 projéteis e criar regras mais duras para a obtenção de licenças fosse aprovada pelo Senado, 48 das armas usadas em todos os tiroteios de massa nos últimos 30 anos seriam proibidas. 

Só que em um mundo em que o comércio de armamentos movimenta cerca de 70 bilhões de dólares, sendo US$ 6 milhões anuais só no lobby do armamento dos EUA, como será justo esse debate? Nessa equação política, com vidas humanas inestimáveis de um lado, e do bolso a cada dia mais gordo de algumas empresas de outro, a reforma provavelmente ainda demora a acontecer. 

Mas vale lembrar: uma morte ou uma história pesadelo que seja, deveria ser suficiente para um diálogo sem tantos interesses por trás. 

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julia.korte
Jornalista e geek de coração. Praticante de binge-watching. Vive a base de cafeína e boa música. Um crush eterno em cinema e seriados.